• Texto

    BLASFEMAR CONTRA O ESPÍRITO SANTO Textos Base: Marcos 3:28-30 “Na verdade vos digo que todos os pecados serão perdoados aos filhos dos homens, e toda a sorte de blasfêmias, com que blasfemarem; Qualquer, porém, que blasfemar contra o Espírito Sa

    BLASFEMAR CONTRA O ESPÍRITO SANTO


    Textos Base:

     

    Marcos 3:28-30

    Na verdade vos digo que todos os pecados serão perdoados aos filhos dos homens, e toda a sorte de blasfêmias, com que blasfemarem; Qualquer, porém, que blasfemar contra o Espírito Santo, nunca obterá perdão, mas será réu do eterno juízo (Porque diziam: Tem espírito imundo)”.

     

    Lucas 12:9-10

    Mas quem me negar diante dos homens será negado diante dos anjos de Deus. E a todo aquele que disser uma palavra contra o Filho do homem ser-lhe-á perdoada, mas ao que blasfemar contra o Espírito Santo não lhe será perdoado”.

     

    Há muita preocupação sobre o que seria BLASFEMAR CONTRA O ESPÍRITO SANTO. Muitos crentes sinceros ficam preocupados com essa afirmação de Jesus, já que não conseguem uma explicação convincente para o fato. Alguns estão sempre preocupados em saber se de alguma maneira blasfemaram.

     

    Analisando o contexto que Jesus falou sobre essa blasfêmia, e também outras passagens bíblicas, podemos compreender o que seria blasfemar contra o Espírito Santo.

     

    No texto de Marcos, Jesus havia expulsado demônios pelo poder do Espírito Santo, e os escribas disseram que Ele expulsava pelo poder do príncipe dos demônios, Belzebu. Eles estavam atribuindo uma obra de Deus à Satanás. Fica claro que atribuir algo feito pelo poder de Deus à Satanás, é blasfemar contra o Espírito Santo.

     

    Na narração de Lucas, antes de falar sobre a blasfêmia, Jesus diz que: “quem me negar diante dos homens será negado diante dos anjos de Deus”. Neste caso blasfemar contra o Espírito Santo, seria apostatar da fé.  

     

    Outra maneira de blasfemar é resistir ao Espírito Santo, ou seja, o homem ouve a Palavra de Deus, por toda a vida e nunca se converte. Isso é resistir ao poder do Espírito Santo que está oferecendo ao homem a salvação pela graça de Deus. É Ele quem convence o homem do pecado, conscientiza-o da justiça de Deus que o levará ao juízo e consequentemente à morte eterna. Isto significa que ninguém despreza a salvação que há em Cristo Jesus, inocentemente. Então para quem ouvir a Palavra de Deus e ignorar ou não dar crédito, e continuar com essa atitude até à morte, não haverá perdão. Porque resistiu ao Espírito Santo.

     

    O apóstolo João em sua primeira carta fala sobre pecado para a morte: “Se alguém vir pecar seu irmão, pecado que não é para morte, orará, e Deus dará a vida àqueles que não pecarem para morte. Há pecado para morte, e por esse não digo que ore. Toda a iniquidade é pecado, e há pecado que não é para morte” (I Jo 5.16-17).

     

    Aqui João está falando claramente para os que são da Igreja, para os que conhecem à Cristo. Podemos deduzir que João está falando de blasfêmia consciente contra o Espírito Santo, ou seja, atribuir uma obra do Espírito Santo à Satanás, por pessoas de dentro da Igreja Cristã. Muitas vezes isso é feito por inveja, ou para desacreditar o agir de Deus na vida de um irmão. Por isso nós que temos conhecimento do agir do Espírito Santo, não seremos considerados ignorantes. Neste caso precisamos ter muito cuidado e não ficarmos julgando curas, libertações e conversões de pessoas. Se não temos discernimento de espírito, Inicialmente devemos acreditar que provém de Deus. Se for obra do maligno, a própria obra se denunciará com o tempo. Porque as obras de Satanás não tem duração ante o poder do Espírito Santo. Elas logo se denunciam.

     

    Podemos ter certeza, a blasfêmia contra o Espírito Santo não será levada em conta se for feita por ignorância. Pois Deus não levará em conta o tempo da ignorância (At 17.30).

     

    Comentar
  • Texto

    ESCRITORES COM LIBERDADE Os escritores dos Evangelhos tiveram liberdade de expressão ao usarem estilo próprio em suas narrativas. Assim como os escritores do Antigo Testamento, os Evangelhos não nos fornecem todos os detalhes históricos que poderia

    PORQUE QUATRO EVANGELHOS?

     

     

     


    ESCRITORES COM LIBERDADE

    Os escritores dos Evangelhos tiveram liberdade de expressão ao usarem estilo próprio em suas narrativas.

     

    Assim como os escritores do Antigo Testamento, os Evangelhos não nos fornecem todos os detalhes históricos que poderiam nos interessar. Os acontecimentos incluídos foram cuidadosamente selecionados para nos apresentar, clara e poderosamente, a mensagem do Evangelho.

     

    Há muito tempo já se tem notado que os Evangelhos não são apenas biografias comuns. Dois deles não mencionam nenhuma vez o nascimento de Jesus, e foi registrado somente um acontecimento de sua vida quando jovem (Lc 2.41-52). Diferentemente do que alguém poderia esperar de uma biografia, uma grande porção de cada Evangelho é dedicada à última semana do ministério de Jesus.

     

    O PROBLEMA SINÓTICO

    São considerados Evangelhos sinóticos, os três primeiros escritos, Mateus, Marcos e Lucas. Sinóticos significa que tem a forma sumária de sinopse, que apresentam grandes semelhanças na narração dos fatos.

     

    Os Evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas, tem em comum um grande número de relatos, a tal ponto que se pode colocar o conjunto de seu conteúdo em três colunas paralelas e lê-los conjuntamente.  O número de versículos que eles compartilham é surpreendente. Uma grande quantidade de passagens idênticas se encontram nesses três Evangelhos. Existem ainda outras passagens que apenas são compartilhadas por Marcos e Mateus, enquanto outras só por Marcos e Lucas. Aliás, numerosos textos ausentes em Marcos, só se encontram em Mateus e Lucas. Por fim, cada Evangelho contém textos que lhe pertencem como próprios. Um fato notável a ser observado é que somente 53 versículos em Marcos não foram utilizados nem por Lucas nem por Mateus. Marcos está quase inteiramente contido nos dois outros. Sendo assim, existe um parentesco grande entre Mateus, Marcos e Lucas, por isso receberam a denominação de Evangelhos Sinóticos.

     

    Uma comparação mais detalhada, entretanto, revela uma grande variedade de diferenças tanto quanto de semelhanças. Algumas vezes, o material registrado é exatamente igual, enquanto que, outras vezes, há pequenas diferenças verbais. Em alguns casos a ordem dos eventos é a mesma, mas freqüentemente isto não ocorre. Do ponto de vista literário, estes fatos levantam perguntas difíceis. Como é que os Evangelhos se originaram? Teriam seus autores se utilizado dos escritos de outros? Poderiam ter eles outros materiais disponíveis?

     

    A resposta mais aceita é de que Marcos foi o primeiro Evangelho e que Mateus e Lucas seguiram seu esboço. Mas Mateus e Lucas trazem algumas narrações importantes em comum que não são encontradas em Marcos (Exemplo: Mt 7.24-27; Lc 6.47-49). Isto é explicado através da suposição de que um segundo documento, não mais existente hoje, teria sido usado pelos dois escritores. Esta solução é conhecida como “Teoria da Dupla Fonte”. Além disso, fica claro que Mateus e Lucas tiveram acesso a muitas informações singulares encontradas somente em seus Evangelhos.

     

    Esta proposição não explica os fatos. Teorias alternativas tem sido sugeridas. Alguns argumentam pela prioridade de Mateus ao invés de Marcos, uns poucos sugerem que Lucas foi escrito primeiro. Alguns até tem argumentado que João foi o primeiro. Vários eruditos enfatizam uma tradição oral que deve ter precedido à escrita desses documentos, sugerindo sua interdependência literária. A maioria dos especialistas do Novo Testamento continua a aceitar a teoria da "Dupla Fonte", como uma hipótese possível, mas reconhecem que muitas perguntas ainda permanecem sem resposta.

     

    Em última análise, a direção de Deus através da inspiração era o fator controlador. Deus usou acontecimentos históricos e a pesquisa pessoal dos escritores dos Evangelhos para cumprir seus propósitos. O trabalho dos eruditos na História e na Literatura não devem então ser de maneira alguma rejeitado, já que muitas vezes tem trazido luz sobre o texto. Por outro lado, a nossa confiança na veracidade das Escrituras não depende da habilidade de especialistas para resolver os problemas literários, mas o poder de Deus em cumprir suas promessas (2Tm 3.16-17).

     

    PORQUE QUATRO EVANGELHOS?

    Por causa dessas repetições de narrativas é que vem a pergunta: “Porque quatro Evangelhos?” Não teria bastado uma só narrativa direta e contínua? Não teria sido bem mais simples e clara?

     

    A resposta é simples e direta. Uma só pessoa, ou mesmo duas não nos teriam trazido um retrato da vida e obra de Cristo, que nos proporcionasse o completo entendimento de quem era Jesus, como os quatro evangelistas. Apesar dos Sinóticos, cada Evangelho tem suas particularidades e nos apresentam quatro funções de Jesus, reveladas distintamente em cada um deles:

     

    Rei no Evangelho de Mateus.

    Servo no Evangelho de Marcos.

    Filho do homem no Evangelho de Lucas.

    Filho de Deus no Evangelho de João.

     

    O certo é que, os quatro Evangelhos apresentam a pessoa e a obra de nosso Salvador; cada um, porém, de um ponto de vista distinto, escrito para povos distintos:

     

    EVANGELHO DE MATEUS

    Escrito para o povo judeu, pode ser considerado o Evangelho da transição, ou seja, é uma ponte que liga o Antigo ao Novo Testamento. Há mais de cem citações diretas do Antigo Testamento no texto de Mateus. Seu propósito é demonstrar que Jesus é o Messias prometido, o verdadeiro Rei de Israel, e que o cristianismo é o fiel cumprimento da Antiga Aliança. Mateus de propósito cita várias vezes: “para que se cumprisse”. Deixando bem claro que estava escrevendo para um povo que conhecia as profecias a respeito do Messias, os judeus. 

     

    EVANGELHO DE MARCOS

    Escrito para os romanos, dominadores da Palestina na época de Jesus, o Evangelho de Marcos enfoca o ministério de Cristo sob a ótica da ação, por isso Marcos é chamado de “Evangelho de Ação”, mostrando Jesus como servo do Senhor, labutando incansavelmente na esfera da redenção do homem. Jesus está constantemente em movimento: curando, expulsando demônios, confrontando adversários e instruindo os discípulos, com a finalidade de demonstrar sua divindade. Nele cumpriram-se as profecias do Antigo Testamento, ao vir a terra como Messias. Entretanto Ele não veio como um rei conquistador, mas como um servo.

     

    EVANGELHO DE LUCAS

    Escrito para os gregos. Diferentemente de seus pares, Lucas é o único dos evangelistas que inicia seu texto com um prólogo, ou seja, fornece os dados prévios que nortearam a elaboração de seu trabalho. É o Evangelho mais longo e inclui boa quantidade de informações não encontradas em outros textos. A extensão incomumente ampla do vocabulário, a excelência da gramática e alta qualidade do estilo mostram que a obra de Lucas é digna de ocupar um lugar respeitável entre os gigantes literários de todos os tempos. Sua intenção foi transmitir a Teófilo a plena verdade sobre o que já tinham sido oralmente inteirado (1.3-4).

     

    EVANGELHO DE JOÃO

    Escrito para toda a humanidade. Quão diferente é este Evangelho dos demais! Suas diferenças se manifestam em todos os planos: um quadro literário diferente, episódios inéditos, longos discursos de revelações, um Cristo mais celeste do que terrestre. João afirma diversas vezes, que Jesus é Deus, iniciando no primeiro capítulo e continuando em todo o livro repetindo a frase “Eu Sou”. A diferença mais evidente é sem dúvida aquela que se refere ao quadro geral do ministério de Jesus. Os sinópticos apresentam um ministério público de mais ou menos um ano, que se desenrola principalmente em torno do lago de Genesaré e termina tragicamente por ocasião da subida de Jesus a Jerusalém para celebrar a Páscoa. Em João, o itinerário é completamente diferente: Jesus faz constantemente o vaivém entre Galiléia e a Judéia, subindo à Jerusalém quatro ou cinco vezes por ocasião das festas judaicas (2.13; 5.1; 7.10; 10.22; 12.12).

     

    CONCLUSÃO

    Nenhum dos Evangelhos (nem mesmo todos reunidos) contém a narração completa da vida de Jesus. Por isso o apostolo João escreveu no final do seu Evangelho “Há, porém, ainda muitas outras coisas que Jesus fez; e se cada uma das quais fosse escrita, cuido que nem ainda o mundo todo poderia conter os livros que se escrevessem. Amém” (João 21.25).

     

     

    Cristo é apresentado a todos os tipos de pessoas que formam o mundo. Cada povo aprecia aspectos diferentes de Sua Pessoa, e os escritores sagrados tiveram essa preocupação, para que as Boas Novas trazidas ao mundo alcançasse a toda a humanidade, sem distinção.

     

    Comentar
  • Texto

    Os apóstolos encontraram dois homens que satisfaziam as qualificações: José, cognominado Justo, e Matias (At 1.23). Lançaram sortes para decidir a questão e a sorte recaiu sobre Matias. O nome Matias é uma variante do hebraico Matatias, que signi

    OS DOZE APÓSTOLOS

     


    No começo do seu ministério Jesus escolheu doze homens para que o acompanhassem em suas viagens. Teriam esses homens uma importante responsabilidade: Continuariam a representá-lo depois de que ele voltasse para o céu. A reputação deles continua a influenciar a igreja até os dias atuais.

     

    Por isso, a seleção dos Doze foi de grande responsabilidade, conforme lemos em Lucas 6.12-13:  "Naqueles dias retirou-se para o monte a fim de orar, e passou a noite orando a Deus. E quando amanheceu, chamou a si os seus discípulos e escolheu doze dentre eles, aos quais deu também o nome de apóstolos”.

     

    A maioria dos apóstolos era da região de Cafarnaum, desprezada pela sociedade judaica refinada, por ser uma pequena parte do estado judaico e conhecida como "Galiléia dos gentios". O próprio Jesus disse: "Tu, Cafarnaum, elevar-te-ás, porventura, até ao céu? Descerás até ao inferno"  (Mt 11.23). Jesus fez desses doze homens líderes vigorosos e porta-vozes capaz de transmitir com clareza a fé cristã. O sucesso que eles alcançaram dá testemunho do poder transformador do Senhor Jesus.

     

    Nenhum dos escritores dos Evangelhos deixou-nos traços físicos dos doze. Dão-nos, contudo, minúsculas pistas que nos ajudam a fazer "conjecturas razoáveis" sobre como pareciam e atuavam. Um fato importante que tem sido tradicionalmente menosprezado em incontáveis representações artísticas dos apóstolos é sua juventude. Se levarmos em conta que a maioria chegou a viver até quase final do primeiro século e que João adentrou o segundo século, então eles devem ter sido não mais do que jovens quando aceitaram o chamado de Cristo.


    1)ANDRÉ
    No dia seguinte àquele em que João Batista viu o Espírito Santo descer sobre Jesus, ele o apontou para dois de seus discípulos, e disse: "Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo" (Jo 1.36). Movidos de curiosidade, os dois deixaram João e começaram a seguir a Jesus. Jesus notou a presença deles e perguntou-lhes o que buscavam. Responderam: "Rabi, onde assistes?" Jesus levou-os a casa onde ele se hospedava e passaram a noite com ele. Um desses homens chamava-se André   (Jo 1.38-40).  André foi logo à procura de seu irmão, Simão Pedro, a quem disse: "Achamos o Messias..." (Jo 1.41). Por seu testemunho, ele ganhou Pedro para o Senhor.

     

    André é tradução do grego Andreas, que significa "varonil". Outras pistas dos Evangelhos indicam que André era fisicamente forte, e homem devoto e fiel. Ele e Pedro eram donos de uma casa (Mc 1.29). Eram filhos de um homem chamado Jonas ou João, um próspero pescador. Ambos os jovens haviam seguido o pai no negócio da pesca, eram Pescadores.

     

    André nasceu em Betsaida, nas praias do norte do mar da Galiléia. Embora o Evangelho de João descreva o primeiro encontro dele com Jesus, não o menciona como discípulo até muito mais tarde (Jo 6.8). O Evangelho de Mateus diz que quando Jesus caminha junto ao mar da Galiléia, ele saudou a André e a Pedro e os convidou para se tornarem discípulos (Mt 4.18,19). Isto não contradiz a narrativa de João; simplesmente acrescenta um aspecto novo. Uma leitura atenta de João 1.35-40 mostra-nos que Jesus não chamou André e a Pedro para segui-lo quando se encontraram pela primeira vez.

     

    André e outro discípulo chamado Filipe apresentaram a Jesus um grupo de gregos (Jo 12.20-22). Por este motivo podemos dizer que eles foram os primeiros missionários estrangeiros da fé cristã.

     

    Diz a tradição que André viveu seus últimos dias na Cítia, ao norte do mar negro. Mas um livreto intitulado: Atos de André (provavelmente escrito por volta do ano 260 dC) diz que ele pregou primariamente na Macedônia e foi martirizado em Patras. Diz ainda, que ele foi crucificado numa cruz em forma de "X", símbolo religioso conhecido como Cruz de Sto. André.

    2)BARTOLOMEU(Natanael) 
    Falta-nos informação sobre a identidade do Apóstolo chamado Bartolomeu. Ele só é mencionado na lista dos apóstolos. Além do mais, enquanto os Evangelhos sinóticos concordam em que seu nome era Bartolomeu, João o cita como Natanael (Jo 1.45). Crêem alguns estudiosos que Bartolomeu era o sobrenome de Natanael. 
    A palavra aramaica bar significa "filho", por isso o nome Bartolomeu significa literalmente, "filho de Talmai". A Bíblia não identifica quem foi Talmai.

     

    Supondo que Bartolomeu e Natanael sejam a mesma pessoa, o Evangelho de João nos proporciona várias informações acerca de sua personalidade. Jesus chamou Natanael de "israelita em quem não há dolo" (Jo 1.47). Diz a tradição que ele serviu como missionário na Índia e que foi crucificado de cabeça para baixo.


    3)TIAGO - Filho de Alfeu

    Os Evangelhos fazem apenas referências passageiras a Tiago, filho de Alfeu (Mt 10.3; Lc 6.15). Muitos estudiosos crêem que Tiago era irmão de Mateus, visto a Bíblia dizer que o pai de Mateus também se chamava Alfeu (Mc 2.14).  Outros crêem que este Tiago se identificava como "Tiago, o Menor", mas não temos  prova alguma de que esses dois nomes se referiam ao mesmo homem   (Mc 15.40). Se o filho de Alfeu era o mesmo homem Tiago, o Menor, talvez ele tenha sido primo de Jesus (Mt 27.56; Jo 19.25). Alguns comentaristas da Bíblia teorizam que este discípulo trazia uma estreita semelhança física com Jesus, o que poderia explicar por que Judas Iscariotes teve de identificar Jesus na noite em que foi traído.  (Mc 14.43-45; Lc 22.47-48).  Diz as lendas que ele pregou na Pérsia e aí foi crucificado. Mas não há informações concretas sobre sua vida, ministério posterior e morte.


    4) TIAGO - Filho de Zebedeu

    Depois que Jesus convocou a Simão Pedro e a seu irmão André, ele caminhou um pouco mais ao longo da praia da Galiléia e convidou a "Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão, que estavam no barco consertando as redes"  (Mc 1.19). Tiago e seu irmão responderam imediatamente ao chamado de Cristo. Ele foi o primeiro dos doze a sofrer a morte de mártir. O rei Herodes Agripa I ordenou que ele fosse executado ao fio da espada (At 12.2). A tradição diz que isto ocorreu no ano 44 dC, quando ele seria ainda bem moço.

     

    Os Evangelhos nunca mencionam Tiago sozinho; sempre falam de "Tiago e João". Até no registro de sua morte, o livro de Atos refere-se a ele como "Tiago, irmão de João" (At 12.2) Eles começaram a seguir a Jesus no mesmo dia, e ambos estiveram presentes na Transfiguração (Mc 9.2-13). Jesus chamou a ambos de "filhos do trovão" (Mc 3.17).

    A perseguição que tirou a vida de Tiago infundiu novo fervor entre os cristãos (At 12.5-25). Herodes Agripa esperava sufocar o movimento cristão executando líderes como Tiago. "Entretanto a Palavra do Senhor  crescia e se multiplicava" (At 12.24).


    5) JOÃO

    Felizmente, temos considerável informação acerca do discípulo chamado João. Marcos diz-nos que ele era irmão de Tiago, filho de Zebedeu (Mc 1.19). Diz também que Tiago e João trabalhavam com "os empregados" de seu pai (Mc 1.20).

     

    Alguns eruditos especulam que a mãe de João era Salomé, que assistiu a crucificação de Jesus   (Mc 15.40). Se Salomé era irmã da mãe de Jesus, como sugere o Evangelho de João (Jo 19.25), João pode ter sido primo de Jesus.

     

    Jesus encontrou a João e a seu irmão Tiago consertando as redes junto ao mar da Galiléia. Ordenou-lhes que se fizessem ao largo e lançassem as redes. Arrastaram uma enorme quantidade de peixes - milagre que os convenceram do poder de Jesus. "E, arrastando eles os barcos sobre a praia, deixando tudo, o seguiram" (Lc 5.11). Simão Pedro foi com eles.

     

    João parece ter sido um jovem impulsivo. Logo depois que ele e Tiago entraram para o círculo íntimo dos discípulos de Jesus, o Mestre os apelidou de "filhos do trovão" (Mc 3.17).

     

    Os discípulos pareciam relegar João a um lugar secundário em seu grupo. Todos os Evangelhos mencionavam a João depois de seu irmão Tiago; na maioria das vezes, parece que Tiago era o porta-voz dos dois irmãos. Paulo menciona a João entre os apóstolos em Jerusalém, mas o faz colocando o seu nome no fim da lista (Gl 2.9).

     

    Muitas vezes João deixou transparecer suas emoções nas conversas com Jesus. Certa ocasião ele ficou transtornado porque alguém mais estava servindo em nome de Jesus. "E nós lho proibimos", disse ele a Jesus, "porque não seguia conosco" (Mc 9.38). Jesus replicou: "Não lho proibais... pois quem não é contra a nós, é por nós" (Mc 9.39,40). Noutra ocasião, ambiciosos, Tiago e João sugeriram que lhes fosse permitido assentar-se à esquerda e à direita de Jesus na sua glória. Esta idéia os indispôs com os outros discípulos (Mc 10.35-41).

     

    Mas a ousadia de João foi-lhe vantajosa na hora da morte e da ressurreição de Jesus. Jo 18.15 diz que João era “conhecido  do sumo sacerdote".  Isto o tornaria facilmente vulnerável à prisão quando os aguardas do sumo sacerdote prenderam a Jesus. Não obstante, João foi o único apóstolo que se atreveu a permanecer ao pé da cruz, e Jesus entregou-lhe sua mãe aos seus cuidados (Jo 19.26-27). Ao ouvirem os discípulos que o corpo de Jesus já não estava no túmulo, João correu na frente dos outros e chegou primeiro ao sepulcro. Contudo, ele deixou que Pedro entrasse antes dele na câmara de sepultamento (Jo 20.1-4,8).

     

    Se João escreveu o quarto Evangelho, as cartas de João e o Apocalipse, ele escreveu mais texto do Novo Testamento do que qualquer dos demais apóstolos. Não temos motivo para duvidar de que esses livros não são de sua autoria.

     

    Diz a tradição que ele cuidou da mãe  de Jesus enquanto pastoreou a congregação em Éfeso, e que ela morreu ali. Preso, foi levado a Roma e exilado na Ilha de Patmos. Acredita-se que ele viveu até avançada idade, e seu corpo foi devolvido a Éfeso para sepultamento.


    6) JUDAS - Não o Iscariotes

    João refere-se a um dos discípulos como "Judas, não o Iscariotes" (Jo 14.22). Não é fácil determinar a identidade desse homem. 

     

    O Novo Testamento refere-se a diversos homens com o nome de Judas - Judas Iscariotes; Judas, irmão de Jesus (Mt 13.55; Mc 6.3); Judas, o Galileu (At 5.37) e Judas, não o Iscariotes. Evidentemente, João desejava evitar confusão quando se referia a esse homem, especialmente porque o outro discípulo chamado Judas não gozava de boa fama.

     

    Mateus e Marcos referem-se a esse homem como Tadeu (Mt 10.3; Mc 3.18). Lucas o menciona como "Judas, filho de Tiago" (Lc 6.16; At 1.13).

    O Historiador Eusébio diz que Jesus uma vez enviou esse discípulo ao rei Abgar da Mesopotâmia a fim de orar pela sua cura. Segundo essa história, Judas foi a Abgar depois da ascensão de Jesus, e permaneceu para pregar em várias cidades da Mesopotâmia.  Diz outra tradição que esse discípulo foi assassinado por mágicos na cidade de Suanir, na Pérsia. O mataram a pauladas e pedradas.

     

     

     

    7) JUDAS ISCARIOTES

    Todos os Evangelhos colocam Judas Iscariotes no fim da lista dos discípulos de Jesus. Sem dúvida alguma isso reflete a má fama de Judas como traidor de Jesus.

     

    A Palavra aramaica Iscariotes literalmente significa "homem de Queriote". Queriote era uma cidade próxima a Hebrom (Js 15.25). Contudo, João diz-nos que Judas era filho de Simão (Jo 6.71). Se Judas era, de fato, natural desta cidade, dentre os discípulos, ele era o único procedente da Judéia. Os habitantes da Judéia desprezavam o povo da Galiléia como rudes colonizadores de fronteira. Essa atitude pode ter alienado Judas Iscariotes dos demais discípulos.

     

    Os Evangelhos não nos dizem exatamente quando Jesus chamou Judas pra juntar-se ao grupo de seus seguidores. Talvez tenha sido nos primeiros dias, quando Jesus chamou tantos outros (Mt 4.18-22). Judas funcionava como tesoureiro dos discípulos, e pelo menos em uma ocasião ele manifestou uma atitude sovina para com o trabalho. Foi quando uma mulher por nome Maria derramou unguento precioso sobre os pés de Jesus. Judas reclamou: "Por que não se vendeu este perfume por trezentos denários, e não se deu aos pobres?" (Jo 12.5). No versículo seguinte João comenta que Judas disse isto "não porque tivesse cuidado dos pobres; mas porque era ladrão.”

     

    Enquanto os discípulos participavam de sua última refeição com Jesus, o Senhor revelou saber que estava prestes a ser traído e indicou Judas como o criminoso. Disse ele a Judas: "O que pretendes fazer,  faze-o depressa" (Jo 13.27). Todavia, os demais discípulos não suspeitavam do que Judas estava prestes a fazer. João relata que "como Judas era quem trazia a bolsa, pensaram alguns que Jesus lhe dissera: Compra o que precisamos para a festa da Páscoa..." (Jo13. 28-29).

     

    Judas traiu o Senhor Jesus, influenciado ou inspirado pelo maligno (Lc 22.3; Jo 13.27). Tocado pelo remorso, Judas procurou devolver o dinheiro aos captores de Jesus e enforcou-se. (Mt 27.5)


    8) MATEUS

    Nos tempos de Jesus, o governo romano coletava diversos impostos do povo palestino. Pedágios pra transportar mercadorias por terra ou por mar eram recolhidos por coletores particulares, os quais pagavam uma taxa ao governo romano pelo direito de avaliar esses tributos. Os cobradores de impostos auferiam lucros cobrando um imposto mais alto do que a lei permitia. Os coletores licenciados muitas vezes contratavam oficiais de menor categoria, chamados de publicanos, para efetuar o verdadeiro trabalho de coletar. Os publicanos recebiam seus próprios salários cobrando uma fração a mais do que seu empregador exigia. O discípulo Mateus era um desses publicanos; ele coletava pedágio na estrada entre Damasco e Aco; sua tenda estava localizada fora da cidade de Cafarnaum, o que lhe dava a oportunidade de, também, cobrar impostos dos pescadores.

     

    Normalmente um publicano cobrava 5% do preço da compra de artigos normais de comércio, e até 12,5% sobre artigos de luxo. Mateus cobrava impostos também dos pescadores que trabalhavam no mar da Galiléia e dos barqueiros que traziam suas mercadorias das cidades situadas no outro lado do lago.

     

    O judeus consideravam impuro o dinheiro dos cobradores de impostos, por isso nunca pediam troco. Se um judeu não tinha a quantia exata que o coletor exigia, ele emprestava-o a um amigo. Os judeus desprezavam os publicanos como agentes do odiado império romano. Não era permitido aos publicanos prestar depoimento no tribunal, e não podiam pagar o dízimo de seu dinheiro ao templo. Um bom judeu não se associaria com publicanos (Mt 9.10-13).

     

    Mas os judeus dividiam os cobradores de impostos em duas classes. A primeira era a dos gabbai,  que lançavam impostos gerais sobre a agricultura e arrecadavam do povo impostos de recenseamento. O  Segundo grupo compunha-se dos mokhsa era judeus, daí serem eles desprezados como traidores do seu próprio povo. Mateus pertencia a esta classe.

     

    O Evangelho de Mateus diz-nos que Jesus se aproximou deste improvável discípulo quando ele esta sentado em sua coletoria. Jesus simplesmente ordenou a Mateus: "Segue-me!" Ele deixou o trabalho pra seguir o Mestre (Mt 9.9).

     

    Evidentemente, Mateus era um homem rico, porque ele deu um banquete em sua própria casa. "E numerosos publicanos e outros estavam com eles à mesa" (Lc 5.29). O simples fato de Mateus possuir casa própria indica que era mias rido do que o publicano típico.

     

    Por causa da natureza de seu trabalho, temos certeza que Mateus sabia ler e escrever. Os documentos de papiro, relacionados com impostos, datados de cerca de 100 dC, indicam que os publicanos eram muito eficientes em matéria de cálculos.

     

    Mateus pode ter tido algum grau de parentesco com o discípulo Tiago, visto que se diz de cada um deles ser "filho de Alfeu" (Mt 10.3; Mc 2.14). Às vezes Lucas usa o nome Levi para referir-se a Mateus (Lc 5.27-29). Daí alguns estudiosos crerem que o nome de Mateus era Levi antes de decidir-se a seguir Jesus, e que Jesus lhe deu um novo nome, que significa "dádiva de Deus". Outros sugerem que Mateus era membro da tribo sacerdotal de Levi.

     

    De todos os evangelhos, o de Mateus tem sido, provavelmente, o de maior influência. A literatura cristã do segundo século faz mais citações do Evangelho de Mateus do que de qualquer outro. Os pais da igreja colocaram o Evangelho de Mateus no começo do cânon do Novo Testamento provavelmente por causa do significado que lhes atribuíam. O relato de Mateus destaca a Jesus como o cumprimento das profecias do Antigo Testamento. Acentua que Jesus era o Messias prometido.

     

    Não sabemos o que aconteceu com Mateus depois do dia de Pentecostes. Uma informação fornecida por John Foxe declara que ele passou seus últimos anos pregando na Pártia e na Etiópia e que foi martirizado na cidade Nadabá em 60 dC.  Não podemos julgar se esta informação é digna de confiança. 

     

    9) FILIPE

    O Evangelho de João é o único a dar-nos qualquer informação pormenorizada acerca do discípulos chamado Filipe. Jesus encontrou-se com ele pela primeira vez em Betânia, do outro lado do Jordão (Jo 1.28). É interessante notar que Jesus chamou a Filipe individualmente enquanto chamou a maioria dos outros em pares. Filipe apresentou Natanael a Jesus (Jo 1.45-51), e Jesus também chamou a Natanael (ou Bartolomeu) para segui-lo.

    Ao se reunirem 5 mil pessoas para ouvir a Jesus, Filipe perguntou ao Seu Senhor como alimentariam a multidão. "Não lhes bastariam duzentos denários de pão, para  receber cada um o seu pedaço", disse ele (Jo 6.7). Noutra ocasião, um grupo de gregos dirigiu-se a Filipe e pediu-lhe que o apresentasse a Jesus. Filipe solicitou a ajuda de André e juntos levaram os homens para conhecê-lo (Jo 12.20-22).

    Enquanto os discípulos tomavam a última refeição com Jesus, Filipe disse: "Senhor, mostra-nos o Pai, e isso nos basta" (Jo 14.8). Jesus respondeu que nele eles já tinham visto o Pai.


    Esses três breves lampejos são tudo o que vemos acerca de Filipe. A igreja tem preservado muitas tradições a respeito de seu último ministério e morte. Segundo algumas delas, ele pregou na França; outras dizem que ele pregou no sul da Rússia, na Ásia Menor, ou até na Índia.  Nada de concreto, portanto. 

     

    10) SIMÃO PEDRO (Cefas) 

    Era um homem de contrastes. Em Cesaréia de Filipe, Jesus perguntou: "Mas vós, quem dizeis que eu sou?" Ele respondeu de imediato: "Tu és o Cristo, o filho do Deus vivo" (Mt 16.15-16).

     

    Alguns versículos adiante lemos: "E Pedro chamando-o à parte, começou a reprová-lo..." Era característico de Pedro passar de um extremo ao outro.

    Ao tentar Jesus lavar-lhe os pés no cenáculo, o imoderado discípulo exclamou: "Nunca me lavarás os pés." Jesus, porém, insistiu e Pedro disse: "Senhor, não somente os meus pés, mas também as mãos e a cabeça" (Jo 13.8,9).

     

    Na última noite que passaram juntos, ele disse a Jesus: "Ainda que todos se escandalizem, eu jamais!" (Mc 14.29). Entretanto, dentro de poucas horas, ele não somente negou a Jesus, mas praguejou (Mc 14.71).

     

    Este temperamento volátil, imprevisível, muitas vezes deixou Pedro em dificuldades. Mas, o Espírito Santo o moldaria num líder, dinâmico, da igreja primitiva, um "homem-rocha" (Pedro significa "rocha") em todo o sentido.

     

    Os escritores do Novo Testamento usaram quatro nomes diferentes com referência a Pedro. Um é o nome hebraico Simeon (At 15.14), que pode significar "ouvir". O Segundo era Simão, a forma grega de Simeon. O terceiro nome era Cefas palavra aramaica que significa "rocha". O quarto nome era Pedro, palavra grega que significa "Pedra" ou "rocha"; os escritores do Novo Testamento se referem ao discípulo com estes nomes mais vezes do que os outros três.

     

    Quando Jesus encontrou este homem pela primeira vez, ele disse: "Tu és Simão, o filho de João; tu serás chamado Cefas" (Jo 1.42). Pedro e seu irmão André eram pescadores no mar da Galiléia (Mt 4.18; Mc 1.16). Ele falava com sotaque galileu, e seus maneirismos identificavam-no como um nativo inculto da fronteira da galiléia (Mc 14.70). Foi levado a Jesus pelo seu irmão André (Jo 1.40-42).

     

    Enquanto Jesus pendia na cruz, Pedro estava provavelmente entre o grupo da Galiléia que "permaneceram a contemplar de longe estas coisas" (Lc 23.49). Em 1Pe 5.1, ele escreveu: “... eu, presbítero como eles, e testemunha dos sofrimentos de Cristo...”

     

    Pedro encabeça a lista dos apóstolos em cada um dos relatos dos Evangelhos, o que sugere que os escritores do Novo Testamento o consideravam o mais importante dos doze. Ele não escreveu tanto como João ou Mateus, mas emergiu como o  líder mais influente da igreja primitiva. Embora 120 seguidores de Jesus tenha recebido o Espírito Santo no dia do Pentecoste, a Bíblia registra as palavras de Pedro (At 2.14-40). Ele sugeriu que os apóstolos procurassem um substituto para Judas Iscariotes (At 1.22). Ele e João foram os primeiros a realizar um milagre depois do Pentecoste, curando um paralítico na Porta Formosa (At 3.1-11).

     

    O livro de Atos acentua as viagens de Paulo, mas Pedro também viajou extensamente. Ele visitou Antioquia (Gl 2.11), Corinto (2Co 1.12) e talvez Roma.

     

    Pedro sentiu-se livre para servir aos gentios (At 10), mas ele é mais bem conhecido como o apóstolo dos judeus (Gl 2.8). À medida que Paulo assumir um papel mais ativo na obra da igreja  e à medida que os judeus se tornavam mais hostis ao Cristianismo, Pedro foi relegado a segundo plano na narrativa do livro de Atos dos Apóstolos.

     

    A tradição diz que a Basílica de São Pedro em Roma está edificada sobre o local onde ele foi sepultado. Escavações modernas sob a antiga igreja exibem um cemitério romano muito antigo e alguns túmulos usados apressadamente para sepultamentos cristãos. Uma leitura cuidadosa dos Evangelhos e do primitivo segmento de Atos tenderia a apoiar a tradição de que Pedro foi figura preeminente da igreja primitiva.

     

    11) SIMÃO ZELOTE

    Mateus refere-se a um discípulo chamado "Simão, o  Cananeu", enquanto Lucas e o livro de Atos referem-se a "Simão, o Zelote". esses nomes referem-se à mesma pessoa. Zelote é uma palavra grega que significa "zeloso"; "cananeu" é transliteração da palavra aramaica kanna'ah,  que também significa "zeloso"; parece, pois, que este discípulo pertencia à seita judaica conhecida como zelotes.

     

    A Bíblia não indica quando Simão foi convidado para unir-se aos apóstolos. Diz a tradição que Jesus o chamou ao mesmo tempo em que chamou André e Pedro, Tiago e João, Judas Iscariotes e Tadeu (Mt 4.18-22).

     

    Temos diversos relatos conflitantes acerca do ministério posterior deste homem e não é possível chegar a uma conclusão.

     

    12) TOMÉ

    O Evangelho  de João dá-nos um quadro mais completo do discípulo chamado Tomé do que o que recebemos dos Sinóticos ou do livro de Atos. João diz-nos que ele também era chamado Dídimo (Jo 20.24). A palavra grega para "gêmeos" assim como a palavra hebraica t'hom significa "gêmeo". A Vulgata Latina empregava Dídimo como nome próprio.

     

    Não sabemos quem pode ter sido Tomé, nem sabemos coisa alguma a respeito do passado de sua família ou de como ele foi convidado para unir-se ao Senhor. Sabemos, contudo, que ele juntou-se a seis outros discípulos que voltaram aos barcos de pesca depois que Jesus foi crucificado (Jo 21.2-3). Isso sugere que ele pode ter aprendido a profissão de pescador quando jovem.

     

    Diz a tradição que Tomé tornou-se missionário na Índia. Afirma-se que ele foi martirizado ali e sepultado em Mylapore, hoje subúrbio de Madrasta. Seu nome é lembrado pelo próprio título da igreja Martoma ou "Mestre Tome".


    13) MATIAS - Substituto de Judas Iscariotes

    Após a morte de Judas, Pedro propôs que os discípulos escolhessem alguém para substituir o traidor. O discurso de Pedro esboçava certas qualificações para o novo apóstolo (At 1.15-22). O apóstolo tinha de conhecer a Jesus "começando no batismo de João, até ao dia em que dentre nós foi levado às alturas". Tinha de ser também, "testemunha conosco de sua ressurreição" (At 1.22).

     

    Os apóstolos encontraram dois homens que satisfaziam as qualificações: José, cognominado Justo, e Matias (At 1.23). Lançaram sortes para decidir a questão e a sorte recaiu sobre Matias.

     

    O nome Matias é uma variante do hebraico Matatias, que significa "dom de Deus". Infelizmente, a Bíblia nada diz a respeito do ministério de Matias.

     

     

    Comentar
  • Texto

    Paulo começou na sinagoga de Damasco, a dar testemunho de sua fé recém-encontrada. O tema de sua mensagem concernente a Jesus era: “Este é o Filho de Deus” (At 9:20). Mas Paulo tinha de aprender amargas lições antes que pudesse apresentar-se com

    APÓSTOLO PAULO, MINISTÉRIO E VIAGENS

     

     


    PAULO EM DAMASCO
    Paulo começou na sinagoga de Damasco, a dar testemunho de sua fé recém-encontrada. O tema de sua mensagem concernente a Jesus era: “Este é o Filho de Deus” (At 9:20). Mas Paulo tinha de aprender amargas lições antes que pudesse apresentar-se como líder cristão confiável e eficiente. Descobriu que as pessoas não se esquecem com facilidade; os erros do homem podem persegui-lo por um longo tempo, mesmo depois que ele os tenha abandonado. Muitos dos discípulos suspeitavam de Paulo. Ele pregou por breve tempo em Damasco, foi para a Arábia e depois voltou para Damasco.

     

    A segunda tentativa de Paulo de pregar em Damasco igualmente não teve bom resultado. Um ano ou dois haviam decorrido desde a sua conversão, mas os judeus se lembravam de como ele havia desertado de sua primeira missão em Damasco. Mas, o ódio contra ele inflamou-se de novo e “deliberaram entre si tirar-lhe a vida” (At 9:23). A dramática história da fuga de Paulo por sobre a muralha, num cesto, tem prendido a imaginação de muitos.

     

    A PREPARAÇÃO PARA O MINSTÉRIO
    Os dias de preparação de Paulo não estavam terminados. O relato que ele faz aos gálatas continua, dizendo: “Decorridos três anos, então subi a Jerusalém. . .“ (Gl 1:18). Ali ele encontrou a mesma hostil recepção que teve em Damasco. Uma vez mais foi obrigado a fugir.

     

    Paulo desapareceu por alguns anos. Esses anos que ele passou escondido deram-lhe convicções amadurecidas e estatura espiritual de que ele necessitaria em seu ministério.

     

    PAULO EM ANTIOQUIA
    Em Antioquia, os gentios estavam sendo convertidos a Cristo. A Igreja em Jerusalém teve de decidir como cuidar desses novos crentes. Foi então que Barnabé se lembrou de Paulo e se dirigiu a Tarso à sua procura (At 11:25). Barnabé já tinha sido instrumento na apresentação de Paulo em Jerusalém, num esforço por afastar as suspeitas contra ele.

     

    A esses dois homens foi confiada a tarefa de levar socorro à Judéia onde os seguidores de Jesus estavam passando fome. Quando Barnabé e Paulo voltaram a Antioquia, missão cumprida, trouxeram consigo o jovem João, apelidado Marcos, sobrinho de Barnabé (At 12:25).

     

    AS VIAGENS MISSIONÁRIAS 
    A jovem e florescente igreja de Antioquia resolve enviar a Barnabé e a Paulo como missionários. O primeiro porto de escala na primeira viagem missionária foi Salamina, na ilha de Chipre, terra natal de Barnabé. Este fato, juntamente com a frequente apresentação que a Bíblia faz desses missionários como “Barnabé e Saulo” indica que Paulo desempenhava papel secundário. Esta era a viagem de Barnabé; Paulo exercia o segundo posto de comando, e os dois tinham “João Marcos como auxiliar” (At 13:5).

     

    O êxito de seus esforços missionários nessa ilha incentivaram Paulo e seus parceiros a avançar para território mais difícil. Fizeram uma viagem mais longa por mar, desta vez até Perge, já em terras continentais da Ásia Menor. Dali Paulo pretendia viajar pelo interior numa missão perigosa até à Antioquia da Pisídia. Mas, exatamente neste ponto, aconteceu algo que causou muita dor de cabeça aos três. O ajudante, João Marcos, “apartando-se deles, voltou para Jerusalém” (At 13:13), onde morava. A Bíblia não nos diz por que, embora seja natural conjeturar que lhe faltaram coragem e confiança. A súbita mudança dos planos de Marcos causaria, mais tarde, conflito entre Paulo e Barnabé.

     

    Em Antioquia, Paulo tomou-se o porta-voz e criou-se um padrão conhecido de todos. Alguns criam em sua mensagem e se regozijavam; outros a rejeitavam e provocavam oposição. Aconteceu pela primeira vez em Antioquia, depois em Icônio. Em Listra ele foi apedrejado e dado por morto (At 14:19), mas sobreviveu e pôde prosseguir até à cidade de Derbe. A visita de Paulo e Barnabé a Derbe completou a sua primeira viagem. Logo Paulo resolveu percorrer de novo a difícil rota sobre a qual ele tinha vindo, a fim de fortalecer, encorajar e organizar os grupos cristãos que ele e Barnabé haviam estabelecido.

     

    Nisto discernimos o plano de Paulo de estabelecer congregações nas principais cidades do Império. Ele não deixava seus convertidos desorganizados e sem liderança capaz, mas, pelo mesmo motivo, não permanecia muito tempo num só lugar.

     

    O CONCÍLIO DE JERUSALÉM
    Os judeus muitas vezes faziam convertidos entre os gentios, mas estes eram mantidos numa posição de “segunda classe”. A não ser que estivessem preparados para submeter-se à circuncisão e aceitar a interpretação da Lei segundo os fariseus, eles permaneciam à margem da congregação judaica. Mesmo que chegassem a esse ponto, o fato de não terem nascido judeus ainda os barrava de usufruir completa comunhão. Assim, qual seria a relação dos convertidos gentios com a comunidade cristã? Paulo e Barnabé viajaram a Jerusalém a fim de conferenciar com os dirigentes ali a respeito desse problema fundamental.

     

    Em Jerusalém, Paulo expôs as suas convicções e saiu vencedor. A descrição da controvérsia que o próprio Paulo apresenta aos gálatas declara que lhe estenderam “a destra de comunhão” e igualmente a Barnabé. Os dirigentes da igreja concordaram em que “nós fôssemos para os gentios” (Gl 2:9).

     

    Após a conferência de Jerusalém, Paulo e Barnabé “demoraram-se em Antioquia, ensinando e pregando a palavra do Senhor” (Atos 15:35). Aqui, dois incidentes causaram severas tensões às relações de trabalho de Paulo com Pedro e Barnabé.


    PAULO REPREENDE PEDRO E SE DESENTENDE COM BARNABÉ

    O  primeiro desses incidentes surgiu dos mesmos problemas que provocaram a conferência de Jerusalém. A conferência havia liberado os gentios do regulamento judaico da circuncisão. Contudo, não havia decidido se os cristãos de origem judaica poderiam comer com os convertidos gentios. Pedro tomou posição ao lado de Paulo nessa praxe, o que envolvia relaxar os regulamentos dos judeus com vistas a alimentos. Na realidade, Pedro deu o exemplo comendo com gentios. Mais tarde, porém, ele “afastou-se e, por fim, veio a apartar-se” (Gl 2:12), e Barnabé se deixou levar “pela dissimulação deles” (v. 13). Paulo, considerando esses atos como nova ameaça à sua missão entre os gentios, recorreu a uma medida drástica. “Resisti-lhe [a Pedro] face a face, porque se tornara repreensível” (Gálatas 2:11). Ele fez isso “na presença de todos” (v. 14). Em outras palavras, ele recorreu à censura pública.

     

    Esse incidente ajuda-nos a entender o segundo, que Lucas registra em Atos 15:36-40. Barnabé desejava que o jovem Marcos os acompanhasse na segunda viagem missionária; Paulo opôs-se à ideia. E a narrativa diz que “houve entre eles tal desavença que vieram a separar-se” (v. 39).

     

    Não sabemos se Paulo e Barnabé voltaram a encontrar-se. “Eles concordaram em discordar” e empreenderam viagens, cada um para seu lado. Sem dúvida o evangelho foi desse modo promovido mais do que se tivessem permanecido juntos. Então “Paulo, tendo escolhido a Silas, partiu... E passou pela Síria e Cilícia, confirmando as igrejas” (Atos 15:40, 41). 

    PAULO ENCONTRA TIMÓTEO
    Depois de nova visita a Derbe, o último ponto visitado na primeira viagem, Paulo e seu grupo prosseguiram até Listra para ver seus convertidos nesta cidade. Aqui Paulo encontrou um jovem cristão chamado Timóteo (Atos 16:1), e viu nele um substituto potencial para Marcos. O que aconteceu aqui redimiu Paulo de qualquer acusação de não se mostrar disposto a depositar confiança em homens mais moços do que ele. Em 1 Tm 1:2 dirigiu-se ao jovem Timóteo “verdadeiro filho”, e na segunda epístola fala dele como “amado filho” (2 Tm 1:2). Na segunda epístola lemos também: “pela recordação que guardo da tua fé, a mesma que primeiramente habitou em tua avó Lóide, e em tua mãe Eunice, e estou certo de que também em ti” (2 Tm 1:5). Esta referência pode significar que a família de Timóteo fora ganha para Cristo por Paulo e Barnabé na sua primeira viagem. Por certo, quando Paulo voltou, ele quis que Timóteo “fosse em sua companhia” (At 16:3). Este mesmo versículo acrescenta que Paulo “circuncidou-o por causa dos judeus”. Era esta atitude coerente com o julgamento anterior de Paulo sobre Pedro? Ou se devia ao fato de ter ele aprendido a não criar problemas desnecessários? De qualquer modo, uma vez que Timóteo era meio-judeu, esta decisão evitaria problemas muitas vezes. Paulo sabia como lutar por um principio e como ceder por conveniência quando não estava em jogo nenhum princípio. Paulo sustentava que a circuncisão não era necessária à salvação (cf. Gálatas), mas estava pronto para circuncidar um judeu cristão como uma questão de conveniência.

     

    Quando o grupo de evangelistas (dirigido de algum modo não especificado pelo Espírito Santo — At 16:6-8) chegou a Trôade e se pôs a contemplar o outro lado da estreita península, deve ter ponderado sobre a perspectiva de avançar sua campanha ao continente europeu. A decisão foi tomada quando “à noite, sobreveio a Paulo uma visão, na qual um varão macedônio estava em pé e lhe rogava, dizendo: Passa à Macedônia e ajuda-nos” (At 16:9). A resposta de Paulo foi imediata.    O grupo navegou para a Europa.

     

    A viagem continuou ao longo da grande estrada romana que corre para o Ocidente através das principais cidades da Macedônia — desde Filipos até Tessalônica, e de Tessalônica a Beréia. Durante três semanas, Paulo falou na sinagoga de Tessalônica; depois foi para Atenas, centro da erudição grega, e cidade onde dominava a idolatria (At 17:16). Incansável, ele partiu para Corinto.

     

    Sua primeira e grande missão no mundo gentio estendeu-se por quase três anos. Depois ele voltou a Antioquia. Após uma curta permanência em Antioquia, Paulo partiu em sua terceira viagem missionária no ano 52 d.C. Desta vez suas primeiras paradas foram na Galácia e na Frígia. Depois de visitar as igrejas em Derbe, Listra, Icônio e Antioquia, ele resolveu fazer algum trabalho missionário intensivo em Éfeso, a capital da província romana da Ásia. Estrategicamente localizada para comércio, era superada somente por Roma, Alexandria e Antioquia em tamanho e importância. Como resultado dos trabalhos de Paulo ali, ela tornou-se a terceira mais importante cidade na história do Cristianismo primitivo — Jerusalém, Antioquia, depois Éfeso.


    PAULO EM ÉFESO
    Paulo chegou a Éfeso para empreender o que provou ser as mais extensas e exitosas de suas atividades missionárias em qualquer localidade. Mas esses anos lhe foram estrênuos. Visto que ele sustentava a si próprio trabalhando em sua profissão, seus dias eram longos. Seguindo o costume dos trabalhadores de um clima tão quente, ele levantava-se antes de raiar o dia e começava a trabalhar. As horas da tarde ele as empregava no ensino e pregação, e é provável que também as horas vespertinas. Isto ele fez “diariamente” durante “dois anos”. Em sua própria descrição desses trabalhos, Paulo acrescenta que ele não só ensinava em público, mas “também de casa em casa” (At 20:20). Teve êxito — muito bom êxito. Somos informados de “milagres extraordinários” (At 19:11) ocorridos durante esses dias agitados em Éfeso. A nova fé causou tal impacto sobre a cidade que “muitos dos que haviam praticado artes mágicas, reunindo os seus livros, os queimaram diante de todos” (At 19:19). Isso suscitou o ódio dos adoradores pagãos, temerosos de que os cristãos solapassem a influência de sua religião.

     

    Depois de três invernos em Éfeso, Paulo passou o seguinte em Corinto, em concordância com a promessa e a esperança expressas em 1 Co 16:5-7. Ali Paulo fez outros preparativos para uma visita a Roma. Escreveu uma carta, dizendo aos cristãos de Roma: “Muito desejo ver-vos, a fim de repartir convoco algum dom espiritual... muitas vezes me propus ir ter convosco” (Rm 1:11, 13), e “penso em fazê-lo quando em viagem para a Espanha” (Rm 15:24).

     

    A VOLTA A JERUSALÉM
    Paulo ignorou as advertências sobre os perigos que o ameaçavam se ele aparecesse de novo em Jerusalém. Ele achava que era decisivo voltar em pessoa, como portador da oferta das congregações gentias. Ele estava “pronto não só para ser preso, mas até para morrer em Jerusalém, pelo nome do Senhor Jesus” (At 21:13). De modo que Paulo foi de novo a Jerusalém, e Lucas escreve que “os irmãos nos receberam com alegria” (At 21:17). Mas espreitando nas sombras estava uma comissão de recepção com intenções diferentes.

     

     

    Comentar
  • Texto

    O APÓSTOLO PAULO - HISTÓRIA E CARACTERÍSTICAS Neste primeiro tópico do nosso estudo, abordaremos questões referentes à pessoa do apóstolo Paulo, suas viagens, sua obra, seu zelo e sua doutrina. Suas viagens se revestem de fundamental importância

    O APÓSTOLO PAULO - HISTÓRIA E CARACTERÍSTICAS

    Neste primeiro tópico do nosso estudo, abordaremos questões referentes à pessoa do apóstolo Paulo, suas viagens, sua obra, seu zelo e sua doutrina.

     

    Suas viagens se revestem de fundamental importância e estão ligadas ao propósito do seu ministério. Apóstolo significa "enviado". Sendo assim, o apóstolo precisa ir. Suas viagens produziram uma obra, que foi o estabelecimento de igrejas em diversas cidades do Império Romano. Após a fundação das igrejas, Paulo poderia, simplesmente, seguir adiante sem se importar com o rebanho. Entretanto, destaca-se o seu zelo, demonstrado pelo envio de cartas às igrejas, inclusive a uma que não foi por ele fundada, à igreja de Roma. Essa correspondência poderia conter apenas assuntos de interesse pessoal do autor e dos destinatários. Entretanto, contêm a mais sublime exposição da doutrina cristã.

     

    Depois de todo esse trabalho, o apóstolo não recebeu recompensa humana. Pelo contrário, foi perseguido, preso, açoitado e morto. As suas viagens e as suas prisões foram necessárias para que hoje tivéssemos as epístolas paulinas no Novo Testamento.


    FAMÍLIA E INFÂNCIA

    Paulo se chamava também Saulo (At.13.9), nome hebraico derivado de "Saul", que significa "pedido". Nasceu em Tarso, na Cilícia, no ano 1 d.C. (At.21.39). Era judeu por descendência e romano devido ao status de sua cidade natal no Império (At.16.37; 22.25-30). Paulo era seu nome romano, derivado do latim "Paulus", que significa "pequeno" (At.13.9).

     

    O livro "Atos de Paulo e Tecla" nos apresenta o apóstolo como um homem de "baixa estatura, cabelos ralos, sobrancelhas ligadas e nariz convexo." 

    Jerônimo escreveu que os antepassados de Paulo viviam na Galiléia e depois migraram para Tarso. Eram, portanto, judeus da diáspora. Não sabemos os motivos da mudança, já que eram várias as razões que faziam com que muitos judeus abandonassem a Judéia. O próprio crescimento do comércio no Império era motivo de muitos deslocamentos.

     

    Tarso era a principal cidade da Cilícia, célebre (At.21.39) e bela. Era um centro cultural, religioso e filosófico. Possuía um templo dedicado a Baal e uma universidade tão importante quanto às de Atenas e de Alexandria. 

    A família de Paulo pertencia à tribo de Benjamim. Não se sabe o nome dos seus pais, mas apenas que eram da seita dos fariseus, à qual o próprio Saulo aderiu. (At.23.6; Fp. 3.5 Rm. 11.1).


    JUVENTUDE, EDUCAÇÃO, OFÍCIO E SEITA RELIGIOSA

    Embora Tarso fosse uma ótima cidade, sua cultura e costumes eram estranhos ao judaísmo. Os pais de Saulo parecem ter se preocupado com a formação religiosa do filho. Por isso, Saulo foi morar em Jerusalém (At.26.4), onde estavam sua irmã e seu sobrinho (At.23.16). Tal mudança deve ter ocorrido por volta dos 13 anos de idade, quando todo judeu deveria se apresentar no templo judaico. Daí em diante, o jovem Saulo passou a ser instruído pelo mestre fariseu Gamaliel (At.5.34; 22.3). Tornou-se também um fariseu convicto e extremamente zeloso (Gl.1.14). Pela análise de todos os textos mencionados, entendemos que a família de Saulo era influente. Ele mesmo chegou a possuir algum nível de autoridade política e religiosa em Jerusalém. Pode ter participado do Sinédrio ou simplesmente de uma sinagoga, onde votava contra os cristãos (At.26.10). Parte de sua instrução foi o aprendizado da confecção de tendas, ofício que mais tarde lhe serviria como fonte de renda em algumas viagens.

     

    Tendo nascido no ano 1, Paulo era contemporâneo de Jesus. Contudo, não sabemos se chegaram a ter algum contato antes da crucificação. Isso é bastante possível, mas, por falta de provas, torna-se apenas objeto de especulação. Os versículos de II Co.5.16 e I Co.9.1 podem indicar esse conhecimento, mas isso não é absolutamente certo. Mesmo que tenha tomado conhecimento a respeito de Jesus, Paulo, como fariseu, não via em Cristo a realização de suas esperanças, uma vez que os fariseus aguardavam a emancipação política de Israel. Assim, o cristianismo, que anunciava um reino espiritual, apresentava-se como abominação aos olhos de Paulo, o qual se tornou um perseguidor implacável dos  cristãos (Gl. 1.13; I Cor. 15.9). Não satisfeito com as perseguições dentro de Jerusalém, Paulo os perseguia em outras cidades, procurando prendê-los afim de que fossem mortos. Notamos nisso um ímpeto "missionário" às avessas. Nesse tempo de perseguidor, Saulo ainda era um jovem, conforme está escrito em At.7.58; 8.1-3.

    CONVERSÃO 
    A conversão de Saulo se deu por volta dos anos 33 ou 34 d.C.. Converteu-se sem a pregação do evangelho por parte de outro homem (Gl.1.11-12). Afinal, quem pregaria para Saulo? O próprio Ananias ficou temeroso quando Deus lhe enviou a orar por aquele que era conhecido como o grande perseguidor da igreja (At.9.13). Uma conversão sem pregação constitui-se exceção. O normal é que alguém pregue o evangelho para que outros se convertam (Rm.10.14).


    PRIMEIRAS VIAGENS APÓS A CONVERSÃO

    Em Gálatas 1, Paulo apresenta seu itinerário após a conversão para mostrar que não aprendeu de nenhum apóstolo a doutrina cristã:

    Damasco (At.9.8)

    Deserto da Arábia - Gl. 1.17

    Damasco - Gl 1.17

    Jerusalém - 3 anos depois da conversão, onde esteve 15 dias com Pedro, (Gl. 1.18). Seu objetivo nesse ponto era deixar claro que não esteve com Pedro tempo suficiente para aprender com ele as doutrinas do cristianismo.


    Síria e Cilícia - Gl. 1.21 - Esteve, por aproximadamente 10 anos, morando em sua cidade natal, Tarso. Talvez tenha passado esse período sozinho. Tinha sido rejeitado pela família, pelos judeus e encontrava dificuldades entre os cristãos, pois estes tinham receio dele. Por suas epístolas, entendemos que muitos não aceitavam seu apostolado pelo fato de não ter vivido com Jesus. Em Atos 1, na hora de escolher o substituto de Judas Iscariotes, Pedro apresentou os requisitos: o candidato deveria ter acompanhado Jesus desde o batismo de João até a ressurreição (At.1.21-22). Portanto, se Paulo estivesse ali, não seria escolhido para ser apóstolo. 

    Antioquia - Por fim, Barnabé foi até Tarso à procura de Paulo e logo depois o conduziu a Antioquia da Síria, onde passou a participar da igreja (At.11.25-26). Antioquia foi o oásis de Paulo. Barnabé foi aquele irmão de que Paulo tanto necessitava para introduzi-lo no convívio cristão. Em Antioquia Paulo permaneceu um ano.

     

    Jerusalém - Depois disso, Paulo foi a Jerusalém com Barnabé e Tito a fim de levar a ajuda enviada pelos irmãos de Antioquia (At.11.27-30). Era então o ano 47 ou 48, 14 anos depois de sua conversão, conforme Gálatas 1.18. 

    Antioquia - Paulo volta para Antioquia, que passou a ser um tipo de "quartel-general".

     

    De acordo com os Atos e as epístolas, entendemos que Paulo era um homem muito instruído, tanto em relação ao judaísmo quanto na filosofia grega. Contudo, seu conhecimento espiritual sobre os mistérios de Deus sobrepujava a tudo isso. Era também homem impetuoso, disposto e extremamente zeloso em tudo.


    A EVANGELIZAÇÃO DOS GENTIOS.

    Pedro iniciou a evangelização dos gentios em Atos 10, mas isso não foi algo natural para ele que era um judeu de Jerusalém. Somente após um arrebatamento, uma visão e uma palavra direta de Deus, é que Pedro admitiu a idéia de pregar aos gentios. Paulo, porém, era um judeu romano. Isso facilitava sua visão rumo aos povos não judeus. Deus o escolheu para essa missão: ser apóstolo aos gentios (At.22.21; Gl. 2.2,8). 

    Nas cidades em que chegava, Paulo normalmente ia primeiro às sinagogas (At.13.13-14, 42-48; 14.1; 17.1-2). Ainda não havia igrejas ou templos cristãos nesses lugares. Por outro lado, ele ainda honrava os judeus com a primazia no anúncio da fé cristã. Entretanto, eles não viam por essa ótica. As pregações nas sinagogas terminavam com a revolta dos judeus. Paulo era expulso, agredido e muitos queriam até apedrejá-lo. Desse modo, ocorria um escândalo em público, mas a essa altura, alguns judeus já haviam se convertido. Até as disputas em praça pública eram proveitosas para que os gentios ouvissem a palavra de Deus. Com esse grupo de convertidos se formava a igreja e as reuniões mudavam de local (At.18.4-7). 

    PRIMEIRA VIAGEM MISSIONÁRIA - Entre os anos 47 e 49 (At.13 e 14)


    Paulo esteve durante algum tempo participando da igreja em Antioquia. Esta cidade era muito importante. Chegou a ser uma grande metrópole ainda nos tempos dos reis gregos da Síria, os selêucidas. Após a conquista por Roma, continuou como capital da província e ali se encontravam os governadores romanos. Era bela, com muitos palácios e templos, dentre os quais se destacava o Santuário de Apolo. Nessa cidade havia uma grande colônia judaica, correspondendo à sétima parte da população.

     

    Estando reunido com os irmãos em Antioquia, Paulo recebeu uma direção do Espírito Santo para empreender sua primeira viagem missionária juntamente com Barnabé. Partiram então, levando João Marcos.

     

    Eis o roteiro da primeira viagem missionária de Paulo: Antioquia da Síria; Ilha de Chipre (Salamina e Pafos); Antioquia da Psídia; Icônio, Listra, Derbe; Perge; Antioquia da Síria.

     

    No meio da viagem, Marcos abandonou o grupo e voltou para Jerusalém. Por esse motivo, Paulo não quis levá-lo em sua próxima viagem (At.13.13). 

    TERCEIRA VISITA A JERUSALÉM

    Após a primeira viagem missionária, Paulo faz sua terceira visita a Jerusalém, por volta do ano 49. Nessa oportunidade ocorre a famosa discussão dos apóstolos sobre o que deveria ser exigido dos gentios convertidos no que se refere à observância da lei mosaica. (At.15) 

    SEGUNDA VIAGEM MISSIONÁRIA - Entre os anos 50 e 52 d.C. (At.15.40 a 18.22)


    Terminado o concílio de Jerusalém (At.15), Paulo e Barnabé voltaram para Antioquia, levando consigo Judas, chamado Barsabás, e Silas. Alguns dias depois (At.15.36), Paulo inicia sua segunda viagem missionária, em companhia de Silas, com o principal propósito de visitar as igrejas estabelecidas nas cidades anteriormente visitadas.

     

    Eis o roteiro da segunda viagem: Antioquia da Síria; Cilícia; Listra; Frígia; Galácia; Trôade; Macedônia/Grécia: Filipos; Tessalônica; Beréia; Acaia; Atenas; Corinto; Éfeso; Jerusalém; Antioquia da Síria.

     

    Em Listra, Timóteo entrou na equipe de Paulo. Em Trôade foi a vez do médico Lucas. Paulo ficou um ano e meio em Corinto, ocasião em que estabeleceu a igreja. Daí escreveu aos Tessalonicenses.


    TERCEIRA VIAGEM MISSIONÁRIA - 53 a 58 d.C. (At.18.23 a 20.38).

    Tendo ficado "algum tempo" em Antioquia (At.18.23), Paulo parte para sua terceira viagem missionária.


    O apóstolo muda então sua "base" para Éfeso, que passa a ser sua cidade de retorno. Ali esteve durante dois anos (At.19.10). O versículo mencionado diz que toda a Ásia foi evangelizada naquele período. Portanto, parece certo que Paulo fez diversas viagens às cidades da Ásia Menor, voltando sempre para Éfeso.

     

    O itinerário da terceira viagem foi: Antioquia da Síria, Galácia, Frígia, Éfeso, Macedônia, Grécia, Trôade, Mileto, Tiro e Cesaréia.


    VIAGEM A JERUSALÉM

    Percebe-se na história de Paulo seu amor pelo seu povo e pela cidade de Jerusalém (At.20.16). Agora, esse amor se dirigia, mais especialmente, aos cristãos daquela cidade. Ali chegando, o apóstolo foi recebido com alegria pelos irmãos. Vinha trazendo uma oferta para eles (I Co.16.3; II Cor.9; Rm.15.25; At.21.17). Afinal, todo o receio contra o ex-perseguidor estava dissipado. A igreja havia finalmente abraçado o apóstolo. Contudo, a fúria dos judeus continuava crescendo contra aquele que consideravam um traidor da pátria e da religião judaica. Com esse espírito de ódio, os judeus prenderam Paulo em Jerusalém e o espancaram. O grande tumulto que se formou chamou a atenção das autoridades romanas, que prenderam Paulo. Aproveitando a oportunidade, o apóstolo pediu para falar à multidão que se ajuntou. Nesse momento, ele deu seu testemunho de conversão até ser interrompido por aqueles que queriam sua morte (At.22.1-22). 

    PRISÃO EM CESARÉIA

    Os judeus de Jerusalém decidiram matar Paulo. Por isso, as autoridades romanas o conduziram em segurança até Cesaréia, onde esteve preso durante dois anos (At.23.23 a 26). Nesse período, ele se apresentou a várias autoridades: ao governador Félix e sua mulher Drusila, ao governador Pórcio Festo, sucessor de Félix, e ao rei Agripa e sua mulher Berenice. Diante deles, o apóstolo proferiu suas defesas, que foram verdadeiros testemunhos e pregações do evangelho. Estas autoridades não viam motivos para matar Paulo. Resolveram então devolvê-lo aos judeus para que eles mesmos resolvessem o problema. Diante dessa possibilidade, Paulo, sabendo que os judeus o matariam, apelou para César, ou seja, o imperador Nero.


    PRISÃO EM ROMA

    Sendo cidadão romano, Paulo tinha o direito de ser julgado em Roma. Foi então enviado para lá. Afinal, convinha que chegasse à capital do Império e ali pregasse o evangelho (At.19.21; 23.11). Após uma viagem conturbada e um naufrágio, Paulo finalmente chega a Roma (At.27). Ali permanece preso em uma casa alugada por ele mesmo durante dois anos (At.28). Nesse tempo, pregou o evangelho a todos quantos se interessavam por ouvi-lo.

     

    A MORTE DE PAULO

    As últimas palavras bíblicas sobre a vida do apóstolo Paulo encontram-se em At.28 e II Tm.4.6-8. Informações extrabíblicas dão conta de que ele teria sido solto em 63 d.C.. Talvez tenha visitado a Espanha e outros lugares (de acordo com epístola de Clemente, Cânon Muratoriano e Atos de Pedro.). Finalmente, a tradição nos informa que o apóstolo Paulo foi preso e decapitado pelo imperador Nero em 67 d.C.



    Resumindo a cronologia da vida de Paulo:

    Data aproximada, Fato ou localidade visitada:

    Ano 1 d.C. Nascimento de Paulo

    Ano 33 ou 34 d.C. Conversão

    Entre 33 e 36 Deserto da Arábia

    Ano 36 Primeira visita a Jerusalém

    Entre 36 e 46 Síria, Cilícia (principalmente Tarso)

    Entre 46 e 47 (Atos 11.25-26) Antioquia da Síria

    47 Segunda visita a Jerusalém

    47 Antioquia da Síria

    47 a 49 Primeira viagem missionária

    49 (Atos 15) Terceira visita a Jerusalém

    50 a 52 Segunda viagem missionária

    53 a 58 Terceira viagem missionária

    58 Quarta visita a Jerusalém

    58 a 59 Prisão em Cesaréia

    60 a 62 Prisão em Roma

    63 a 66 Liberdade e viagens diversas (???)

    67 Morte em Roma

    Comentar
  • Texto

    costume das Seitas usarem versículos fora do contexto, citando-os isoladamente para tentarem dar base bíblica as suas heresias. O versículo 15 do capítulo 1 de Colossenses, é um dos mais usados pelas seitas anti-cristãs (mas se dizem cristãs), te

    ESTUDO DE COLOSSENSES 1.15  


     

    O qual é imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação;”

     

    É costume das Seitas usarem  versículos fora do contexto, citando-os isoladamente para tentarem dar base bíblica as suas heresias. O versículo 15 do capítulo 1 de Colossenses, é um dos mais usados pelas seitas anti-cristãs (mas se dizem cristãs), tentado convencer os incautos que Jesus é um ser criado.

    Para estarmos dentro do contexto, vamos analizar também porque Paulo escreveu esta carta, qual seu propósito. 

    O MOTIVO DA CARTA

    A Igreja de Colossos ainda alimentava uma preocupação errônea e exagerada em relação à guarda religiosa e cerimonial dos ritos tradicionais judaicos do passado. Além disso, os cristãos de Colossos eram muito vulneráveis às crenças místicas e supertiociosas de todos os tipos. Essa falta de confiança na fé cristã e no Senhorio de Cristo criou um ambiente fértil para o surgimento de uma heresia que juntava elementos judaicos com teorias e doutrinas de um gnosticismo ainda em formação.

    O propósito de Paulo era  combater a heresia contra a pessoa de Jesus. Para alcançar esse alvo, exalta Cristo como a própria imagem de Deus (1.15), Criador (1.16), sustentador preexistente de todas as coisas (1.17), cabeça da igreja (1.18), primeiro a ser ressuscitado (1.18.), plenitude da deidade em forma corpórea (1.19) e reconciliador (1.20-22). Cristo é portanto totalmente satisfatório. Nele o cristão recebe a plenitude do Espírito de Deus.

    Sendo assim, o tema central da carta aos colossenses pode ser resumido na plena suficiência de Jesus Cristo, em oposição às limitações e incapacidades de qualquer seita filosofia ou crença produzida pelos seres humanos.

    ANÁLISE TEXTUAL

    Analisaremos todo o capitulo 1 da carta de Paulo a igreja da cidade de Colossos. Trabalhar apenas em um versículo, não nos daria o real sentido do versículo 15, não nos daria o entendimento do que Paulo queria nos ensinar.

    1 – "PAULO, apóstolo de Jesus Cristo, pela vontade de Deus, e o irmão Timóteo".

    Paulo, como de costume em suas cartas se apresenta como apóstolo de Cristo. O Apóstolo era cristocêntrico, ele não tinha dúvidas da soberania de Cristo sobre sua vida e ministério. Nesta carta ele usa a palavra “Cristo” 29 vezes. Apesar de citar Timóteo ele é o autor exclusivo da carta, como pode ser visto no uso constante do pronome pessoal “EU”.

    2 - "Aos santos e irmãos fiéis em Cristo, que estão em Colossos: Graça a vós, e paz da parte de Deus nosso Pai e do Senhor Jesus Cristo".

    Os cristãos são chamados de “Santos”, porque todos os seguidores fieis de Jesus, são santos, pois foram santificados na morte vicária de Jesus.

    3 - "Graças damos a Deus, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, orando sempre por vós".

    Veja que neste versículo, mesmo citando o agradecimento a Deus pelos irmãos da igreja, ele não os deixa esquecer que Jesus é Filho de Deus.

    4 - "Porquanto ouvimos da vossa fé em Cristo Jesus, e do amor que tendes para com todos os santos";

    Nossa fé deve estar firme em Cristo. É Ele, Cristo que nos ensina o amor entre os Santos.

    5 - "Por causa da esperança que vos está reservada nos céus, da qual já antes ouvistes pela palavra da verdade do evangelho",

    Nossa esperança de vida eterna está em Jesus, pois Ele é palavra da verdade do Evangelho, o Verbo.

    6 - "Que já chegou a vós, como também está em todo o mundo; e já vai frutificando, como também entre vós, desde o dia em que ouvistes e conhecestes a graça de Deus em verdade";

    O apóstolo informa aos crentes de Colossos sobre o crescimento do Evangelho, em toda parte onde é pregado.

    7 - "Como aprendestes de Epafras, nosso amado conservo, que para vós é um fiel ministro de Cristo",

    Aqui Paulo elogia o trabalho do Pastor de Colossos, Epafras. Chamando-o de cooperador e fiel ministro de Cristo. Ensina que o responsável por uma igreja cristã deve acima de tudo ser fiel a Jesus. Que o pastor jamais pode ensinar algo contra a pessoa de Jesus, além de respeitar seus superiores de ministério, no caso aqui Paulo.

    8 - "O qual nos declarou também o vosso amor no Espírito".

    O pastor da igreja não deve esquecer de propagar as virtudes de seus membros. Não esquecendo que o amor que reina entre seus congregados vem do Espírito Santo.

    9 a 11 – 9 - "Por esta razão, nós também, desde o dia em que o ouvimos, não cessamos de orar por vós, e de pedir que sejais cheios do conhecimento da sua vontade, em toda a sabedoria e inteligência espiritual; 10 - Para que possais andar dignamente diante do Senhor, agradando-lhe em tudo, frutificando em toda a boa obra, e crescendo no conhecimento de Deus; 11 - Corroborados em toda a fortaleza, segundo a força da sua glória, em toda a paciência, e longanimidade com gozo";

    O conhecimento da vontade de Deus. O conhecimento bíblico, não é para ficar conosco, mas que este conhecimento passe a ser prático, que o conhecimento de Deus nos faça agir e viver uma vida digna do verdadeiro Filho de Deus. É o conhecimento de Deus que nos trará crescimento. Então que cada um procure a cada dia conhecer mais e mais a Palavra de Deus.

    12 - "Dando graças ao Pai que nos fez idôneos para participar da herança dos santos na luz";

    Não esqueçamos de dar sempre graças ao Deus Pai. Aqui Paulo deixa claro que devemos ser agradecidos a Deus por nossa salvação. Isso deixa bem claro nossa dependência de Deus, e não o contrário conforme alguns ensinos que estão sendo propagados atualmente.

    13 - "O qual nos tirou da potestade das trevas, e nos transportou para o reino do Filho do seu amor";

    Nós reinamos com Cristo. Quem é contra Cristo, não fará parte do Reino que Deus separou para os santos. Aqui fica bem claro que não há opção, o salvo não vai escolher, ele será transportado por Deus para o Reino de seu Filho, Jesus. Quem é contra Cristo vai para onde na eternidade, já que para ele Jesus é apenas um "ser criado"? Faça essa pergunta a quem tentar lhe ensinar que Jesus não é Deus, não é o salvador.

    14 - "Em quem temos a redenção pelo seu sangue, a saber, a remissão dos pecados";

    Nosso perdão de pecados está em Cristo, se não estamos em Cristo continuamos em nossos pecados. Não há outro meio de perdão. Se alguém está ensinando que Cristo não é importante, tal ensinamento é anátema, pois a salvação está em Jesus.

    15 - "O qual é imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação";

    Jesus é chamado de imagem de Deus, quer dizer, em Cristo está o resplendor da Glória de Deus. No judaísmo a palavra “primogênito” significa supremacia, privilégios e direitos que nenhum outro filho tinha. O apóstolo está ensinando que Jesus é superior a toda criação, que ele tem supremacia sobre todas as coisas. Não há como defender neste versículo Jesus como criação, mas sim como superior a toda a criação, porque Ele é o Criador.

    Paulo não está dizendo que o Filho foi o primeiro ser criado. No Antigo Testamento, um filho primogênito seria o principal herdeiro dos bens deixados (Dt 21.17; Ex 4.22; Sl 89.27. O termo "primogênito" é empregado com relação a Cristo para afirmar que ele tem tal honra e dignidade, e não no sentido de filho mais velho de uma família. Cristo é particularmente amado de seu Pai, e todas as coisas forma criadas nele, por Ele e Para Ele.

    16 - "Porque nele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades. Tudo foi criado por ele e para ele".

    O maravilhoso Jesus é também o Criador. Tudo foi criado por Ele e para Ele. Não importa se são coisas visíveis ou invisíveis, tudo foi criado por Ele. Aqui está à confirmação de João 1.1-3 “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e sem ele nada do que foi feito se fez”.

    17 - "E ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por ele".

    A eternidade de Jesus é confirmada. Em Jesus nós criaturas e todo o mundo subsiste. Nele está à sustentação de todas as coisas. Nessa veemente reafirmação da precedência temporal e da significação universal de Cristo, esse versículo torna explícito o que estava implícito no versículo 16: Cristo existia antes de todas as coisas. Ele não foi criado. A confirmação de que Jesus é o sustentador e o poder unificador do universo está em Hebreus 1.2-3.

    18 - "E ele é a cabeça do corpo, da igreja; é o princípio e o primogênito dentre os mortos, para que em tudo tenha a preeminência".

    Jesus está acima de tudo, inclusive da Igreja de Deus, da qual Ele é a cabeça. Se Ele é a cabeça da Igreja, qualquer ensinamento que vá contra a soberania de Cristo, está totalmente fora da vontade de Deus, que definiu seu Filho amado como “Dono da Igreja”. Mais uma vez sua supremacia é lembrada, agora sobre os mortos. Afinal Ele é o primeiro em tudo, até entre os que foram ressuscitados. Paulo não nos deixa esquecer a supremacia de Cristo, sobre tudo.

    19 - "Porque foi do agrado do Pai que toda a plenitude nele habitasse",

    Foi Deus Pai quem quis que a Plenitude de Cristo fosse sobre tudo. Plenitude aqui para Paulo significa poder absoluto, Totalidade de Deus com todos os seus poderes e atributos.

    20 - "E que, havendo por ele feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, tanto as que estão na terra, como as que estão nos céus".

    Nós que nos separamos de Deus por causa do pecado, em Cristo somo reconciliados com Deus. Está claro que só pode ser salvo quem aceita o sacrifício de Jesus.

    21 - "A vós também, que noutro tempo éreis estranhos, e inimigos no entendimento pelas vossas obras más, agora contudo vos reconciliou".

    Antes de crermos em Cristo, somos considerados inimigos de Deus. Não se deixe enganar, fora de Cristo não há salvação. Deus não vai dar um “jeitinho” de salvar os que vivem denegrindo a pessoa de Jesus. Não caia nessa armadilha dos inimigos de Cristo que chegam até você oferecendo ensinamentos que vão contra a divindade de Jesus. Seguindo esse tipo de pessoas você estará se afastando de Deus.

    22 - "No corpo da sua carne, pela morte, para perante ele vos apresentar santos, e irrepreensíveis, e inculpáveis".

    A pessoa de Jesus, nos torna livres de qualquer acusação diante de Deus. Jesus é nosso advogado.

    23 - "Se, na verdade, permanecerdes fundados e firmes na fé, e não vos moverdes da esperança do evangelho que tendes ouvido, o qual foi pregado a toda criatura que há debaixo do céu, e do qual eu, Paulo, estou feito ministro".

    Nossa base de vida deve ser Jesus, Ele é nossa esperança, se nos afastarmos dele, perdemos toda esperança de um futuro com Deus. Quando falamos de Evangelho, falamos de Jesus, afinal Ele é a Boa Nova.

    24 - "Regozijo-me agora no que padeço por vós, e na minha carne cumpro o resto das aflições de Cristo, pelo seu corpo, que é a igreja";

    Quando sofremos por causa de nossa esperança de salvação, devemos nos lembrar dos sofrimentos de Cristo.

    25 - "Da qual eu estou feito ministro segundo a dispensação de Deus, que me foi concedida para convosco, para cumprir a palavra de Deus";

    Mais uma vez Paulo lembra sua posição de ministro de Deus.

    26 - "O mistério que esteve oculto desde todos os séculos, e em todas as gerações, e que agora foi manifesto aos seus santos";

    O mistério de Deus que nos foi revelado é Cristo. A Igreja de Deus deve ser cristocêntrica, Jesus tem de ser o centro de nossa vidas.

    27 - "Aos quais Deus quis fazer conhecer quais são as riquezas da glória deste mistério entre os gentios, que é Cristo em vós, esperança da glória";

    Nós gentios, não tínhamos esperança, mas Deus em sua imensa misericórdia nos enviou Cristo, nossa gloriosa riqueza, nossa esperança de gozar a Glória de Deus.

    28-29 "28 - A quem anunciamos, admoestando a todo o homem, e ensinando a todo o homem em toda a sabedoria; para que apresentemos todo o homem perfeito em Jesus Cristo; 29 - E para isto também trabalho, combatendo segundo a sua eficácia, que opera em mim poderosamente".

    Devemos a cada dia sermos aperfeiçoados em Cristo. Jesus deve ser o nosso espelho. Lutemos diariamente até o dia em que chegaremos à estatura do Varão Perfeito, Cristo Jesus.

    CONCLUSÃO

    Paulo conclui, nos advertindo que devemos aprender e ensinar uns aos outros. Esse aprendizado é quem vai nos preparar para que não venhamos a cair em ensinamentos “loucos”, que querem dizer que Jesus é um ser “criado”, quando na verdade o que Paulo está dizendo é que Cristo tem supremacia sobre a criação já que Ele é o criador.

    Nunca aceite argumentos ou ensinamentos que usam um só versículo. Neste capítulo é muito usado o versículo 15, para tentar colocar Jesus igual a todas as coisas da criação, mas é um argumento que não tem sustentação, tanto que a resposta está logo no versículo 16, que deixa bem claro que Jesus é o Criador e não criatura.

    Ao Senhor Deus e só ao Senhor, toda glória, para sempre. Amém!


    Comentar
  • Texto

    ESTUDOS DE TEMAS DA CARTA AOS ROMANOS CARTA AOS ROMANOS, A CHAVE PARA O ENTENDIMENTO DA ESCRITURA Todos os reformadores da igreja viam Romanos como sendo a chave divina para o entendimento de toda a Escritura, já que aqui Paulo une todos os grandes te

    ESTUDOS DE TEMAS DA CARTA AOS ROMANOS


    CARTA AOS ROMANOS, A CHAVE PARA O ENTENDIMENTO DA ESCRITURA
    Todos os reformadores da igreja viam Romanos como sendo a chave divina para o entendimento de toda a Escritura, já que aqui Paulo une todos os grandes temas da Bíblia: Pecado, Lei, julgamento, destino humano, fé, obras, graça de Deus, justificação, eleição, o plano de salvação, a obra de Cristo e do Espírito Santo, a esperança cristã, a natureza e vida da igreja, o lugar do judeu e do gentio nos propósitos de Deus, a filosofia da igreja e a história do mundo, a mensagem do Antigo Testamento, os deveres da cidadania cristã e os princípios de retidão e moralidade pessoal. Romanos nos abre uma perspectiva através da qual a paisagem completa da Bíblia pode ser vista e a revelação de como as partes se encaixam no todo se torna clara.

     

     

    TEMAS

     

    A Epístola aos Romanos é uma resposta completa, lógica e reveladora para a grande pergunta da humanidade em todos os tempos: “Como pode o homem ser justo para com Deus?” (Jó 9.2). A discussão sobre o tema justificação toma o espaço dos capítulos 1 ao 5. A base dos argumentos de Paulo é a longânime, infalível e eterna justiça de Deus.

     

     

    O tema fundamental de Paulo em Romanos é o evangelho básico: o plano de Deus para salvação e justificação de toda humanidade, judeus e gentios indiferentemente (Rm 1.16-17). Embora a justiça pela fé tenha sido apresentada como o tema principal por alguns estudiosos, parece que o tema que corresponderia de forma mais ampla e satisfatória a mensagem do livro, seria “A Justiça de Deus”, que englobaria:

     

    • JUSTIÇA DE DEUS
    • GRAÇA DE DEUS,
    • JUSTIFICAÇÃO,
    • FÉ,
    • SANTIFICAÇÃO,
    • SALVAÇÃO,
    • ADOÇÃO,
    • PREDESTINAÇÃO.

     Qual a interpretação de cada um desses temas? É importante saber para poder entender um pouco mais dessa maravilhosa epístola.

     

    JUSTIÇA DE DEUS?

    “para demonstração da sua justiça neste tempo presente, para que ele seja justo e também justificador daquele que tem fé em Jesus”. (Rm 3.26). 

    Desde que o homem pecou que Deus se dispôs a salvá-lo. Para poder salvar o homem, Deus deveria agir de uma maneira que combinasse e se ajustasse com sua própria divindade e justiça. Ou seja, O Senhor não poderia fazer algo que contrariasse sua natureza, seu método e sua maneira de ser justo. Por isso a salvação é algo que está além de nossa imaginação e compreensão.

     

    Para salvar o homem, Deus agiu de modo excelente. Qual é o método, então usado por Deus para que o homem seja salvo de maneira justa? Que método há que se compare com a dignidade de Deus? É fácil ser salvo, mas é difícil ser salvo justamente. É por isso que a Bíblia fala muito sobre a justiça de Deus.

     

    O QUE É JUSTICA DE DEUS?

    A justiça de Deus é o modo Dele agir. O amor é a natureza de Deus. A santidade é a disposição de Deus. E glória é próprio ser de Deus. A justiça, no entanto, é o proceder de Deus. É pela justiça que Deus age, ou seja, os seus métodos são baseados na sua justiça. Uma vez que Deus é justo, conforme afirma o salmista “Deus é um juiz justo, um Deus que sente indignação todos os dias” (Sl 7.11), Ele não poderia simplesmente salvar o homem conforme o desejo do seu coração amoroso. Mas tudo que Deus faz, até mesmo a salvação do homem, é segundo a sua justiça, de acordo com o seu proceder, o seu próprio padrão moral.

     

    Não existe dúvida quanto ao amor de Deus pela humanidade. Ele é cheio de amor para conosco, e deseja muito nos salvar, mas Ele também deseja fazer isso legalmente. Veja que coisa maravilhosa: o amor de Deus é limitado por sua justiça. Deus não pode agir contrariamente a si próprio e declarar irresponsavelmente que os nossos pecados estão apagados, que tudo está bem, e que podemos nos considerar livres. Se Deus nos perdoasse de maneira irresponsável, que lei, que justiça, que verdade regeria o universo? É a justiça de Deus que equilibra o mundo, senão a maldade que já é grande entre os homens seria insuportável. Não haveria ninguém que fizesse o bem, já que não haveria punição eterna para as maldades cometidas. Não tenha dúvidas, muita gente vive uma vida de integridade, por desejar agradar a Deus.

     

    Para Deus, não foi uma questão fácil nos salvar sem violar a sua justiça. O apóstolo Paulo recebeu a revelação de Deus para nos dizer como foi que o Senhor tratou especificamente desse problema: “ao qual Deus propôs como propiciação, pela fé, no seu sangue, para demonstração da sua justiça por ter ele na sua paciência, deixado de lado os delitos outrora cometidos; para demonstração da sua justiça neste tempo presente, para que ele seja justo e também justificador daquele que tem fé em Jesus” (Rm 3.25-26).

     

    Deus enviou seu Filho Jesus para nos redimir de nossos pecados, sendo Cristo feito nossa propiciação. Assim Jesus resolveu de uma vez por todas, o problema do pecado. A obra redentora na cruz foi cumprida e a ressurreição confirmou que a solução é de fato, verdadeira.

     

     

     

    GRAÇA DE DEUS

     

    Mas não é assim o dom gratuito como a ofensa; porque, se pela ofensa de um morreram muitos, muito mais a graça de Deus, e o dom pela graça de um só homem, Jesus Cristo, abundou para com muitos” (Rm 5.15). 

    O que é graça? A palavra “graça” significa originalmente “beleza” ou “comportamento apreciado”. Ela foi mais tarde usada para indicar qualquer favor concedido a alguém, especialmente quando quem o recebe não fez por merecer. Os escritores bíblicos tomaram de empréstimo esta palavra e sob a orientação de Deus, a revestiram de um novo significado; de modo que no Novo Testamento ela em geral indica perdão de pecados concedido inteiramente pela bondade de Deus, em separado de qualquer mérito por parte da pessoa perdoada. A graça abençoa o homem em face de toda a sua falta de mérito, é demérito positivo.

     

    A graça não é apenas algo expresso por Deus. É uma expressão do que Ele é. “A graça é a atitude por parte de Deus que tem origem nele mesmo, não sendo absolutamente condicionada por qualquer coisa nos objetos do seu favor”. O Dr. Henry C. Mabie é citado por ter dito “A graça é um benefício comprado para nós no tribunal que nos considerou culpados”.

     

    A definição mais simples de graça é: “Deus nos dá o que nós não merecemos”.

     

    JUSTIFICAÇÃO

     

    sendo justificados gratuitamente pela sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus” (Rm 3.24). 

    A justificação se refere à posição do cristão diante de Deus. Por sua natureza o homem é um transgressor da Lei de Deus: “Como está escrito: não há justo, nem um sequer” (Rm 3.10). Na regeneração o homem recebe uma nova vida e uma nova natureza. Na justificação, uma nova posição diante de Deus.

     

    Justificação é um termo forense que descreve o pecador diante do tribunal de Deus para receber a sentença de condenação devido seus delitos. Mas ao ser pronunciada a sentença, o homem é judicialmente absolvido das acusações que lhe pesavam, sendo declarado a partir daquele momento justo. O declarante é Deus.

     

    Portanto, por justificação, entende-se ato pelo qual Deus declara justa uma pessoa que a Ele se chega por meio da pessoa de Jesus, único mediador entre Deus e os homens (1 Tm 2.5).

     

    O uso do verbo “justificar” nas Escrituras Sagradas indica que a justificação é uma declaração legal da parte de Deus. Justificação era um processo bem conhecido no mundo antigo. Conferia-se uma pedrinha branca a um homem que sofrera um processo e fora absolvido, e como prova levava consigo então a pedra para provar que não cometera o crime que lhe imputara.

     

    No Novo Testamento, o verbo “justificar”, tem uma variedade de significados, mas um sentido muito comum é “declarar justo”. Observe que o pecador não é justo, mas “declarado” justo com base em sua fé no sacrifício substitutivo de Jesus: “sendo justificados gratuitamente pela sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus, ao qual Deus propôs como propiciação, pela fé, no seu sangue, para demonstração da sua justiça por ter ele na sua paciência, deixado de lado os delitos outrora cometidos; para demonstração da sua justiça neste tempo presente, para que ele seja justo e também justificador daquele que tem fé em Jesus” (RM 3.24-26).

     

    Na declaração legal de justificação por parte de Deus, o Senhor declara especificamente que somos justos à sua vista. Isto significa que aqueles que foram justificados não possuem dívida nenhuma a pagar pelos pecados, incluindo pecados do presente, do passado e do futuro, pois, “e havendo riscado o escrito de dívida que havia contra nós nas suas ordenanças, o qual nos era contrário, removeu-o do meio de nós, cravando-o na cruz” (Cl 2.14).

     

    Portanto não existe nenhuma acusação ou condenação, como está escrito: “Agora pois, já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus” (Rm 8.1). Nesse sentido, ao justificar o pecador, Deus o coloca na posição de um justo, ou seja, como se ele nunca tivesse pecado.

     

     

     

     

    Concluímos, pois, que o homem é justificado pela fé, sem as obras da Lei” (Rm 3.28). 

    Muitos eruditos bíblicos creem que a Bíblia não dá uma definição real e completa de fé. Todos concordam, porém, que Hebreus 11.1 é provavelmente a passagem que mais se aproxima dessa definição: “Ora, a fé é o firme fundamento das cousas que se esperam, e a prova de coisas que se não veem.” O valor deste versículo como uma definição de fé é mais evidente quando examinamos de perto o uso de várias palavras. A fé é dita como sendo firme fundamento. “Fundamento” refere-se àquela relação da nossa esperança. Ter fé não significa andar às apalpadelas no escuro, mas convicção firme, nascida de amor e da relação comprovada de que a Palavra de Deus revelada é verdadeira. A fé é mais que uma simples esperança; ela é fundamento, termo que no terreno legal era traduzido como “direito de posse”. Aquele que crê divinamente, em cujo coração o amor significa persuasão, tem o “direito de posse” à plena provisão de Deus. A fé é uma convicção quando se aplica ao que é invisível. As realidades do reino de Deus são por natureza realidades invisíveis, isto é, invisíveis ao olhar natural, visível para quem tem fé. A fé é a faculdade que permite que as coisas espirituais sejam percebidas como sendo reais, e capazes de serem realizadas. O indivíduo que possui fé, tem olhos para o que é espiritual. Para o cristão a fé é “evidência” real. Ele não necessita de qualquer outra evidência a fim de proceder de acordo com a vontade revelada de Deus. No grego clássico, a palavra para evidência é muitas vezes traduzida como “prova”. A fé é um “fundamento” e uma “prova”.

     

    SANTIFICAÇÃO

     

    Mas agora, libertos do pecado, e feitos servos de Deus, tendes o vosso fruto para santificação, e por fim a vida eterna” (Rm 6.22). 

    A santificação é obra do Espírito Santo na vida do cristão, e tem três estágios. Essa obra é tanto instantânea como gradual. Inclui a obra transformadora do Espírito no coração do cristão, pela qual ele se torna moral e espiritualmente santo, como Deus é santo. Esta é a purificação inicial que ocorre no momento do novo nascimento, conhecida como santificação. Um segundo momento inclui o processo de transformação, quando o Espírito Santo vai convencendo e transformando o crente à semelhança de Cristo até a glorificação no céu, como está escrito: “Mas todos nós, com rosto descoberto, refletindo como um espelho a glória do Senhor, somos transformados de glória em glória na mesma imagem, como pelo Espírito do Senhor” (2 Co 3.18).

     

    1 - O INÍCIO DA SANTIFICAÇÃO

    No momento em que a pessoa nasce de novo, ocorre uma mudança moral e espiritual, definida como regeneração. Nesse momento diz-se que a pessoa foi santificada, tornou-se santa. É a santidade posicional, ou seja, a santidade de Jesus é atribuída ao crente. Pode ser que ainda não seja santo em sua conduta diária, mas a santidade de Jesus lhe é imputada quando ele crê em Cristo. As Escrituras dizem: “Mas vós sois dele, em Cristo Jesus, o qual para nós foi feito por Deus sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção” (1 Co 1.30).

     

    No momento que recebem a salvação, os cristãos são chamados de santos, independente de seus méritos. Paulo ao escrever aos coríntios, disse: “A igreja de Deus que está em Corinto, aos santificados em Cristo Jesus, chamados para serem santos, com todos os que em todo lugar invocam o nome de nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor deles e nosso” (1 Co 1.2).

     

    Numa leitura da primeira epístola de Paulo aos Coríntios evidenciará que não era uma igreja perfeita, mas sim cheia de problemas. Seus membros são chamados de carnais por Paulo, além de cometerem inúmeros pecados graves, mesmo assim Paulo inicia a carta os chamando de “santificados em Cristo Jesus”.

     

    2 – O PROCESSO DE SANTIFICAÇÃO

    Ainda que o Novo Testamento fale sobre o começo definido da santificação, também tem a vê como um processo que continua por toda a nossa vida cristã. João escreveu “O justo continue na prática da justiça, e o santo continue a santificar-se” (Ap 22.11).

     

    Segundo escreveu Paulo aos Romanos, eles tinham sido libertos do pecado e estavam “mortos para o pecado, mas vivos para Deus” (Rm 6.11). Por outro lado, o apóstolo reconheceu que o pecado permanecia ainda na vida dos cristãos de Roma e, por essa razão escreveu: “Não reine, portanto, o pecado em vosso corpo mortal, para obedecerdes às suas concupiscências; nem tampouco apresenteis os vossos membros ao pecado como instrumentos de iniquidade; mas apresentai-vos a Deus, como revividos dentre os mortos, e os vossos membros a Deus, como instrumentos de justiça” (Rm 6.12-13).

     

    Paulo reconhece que os cristãos foram santificados, no sentido de que a santidade de Cristo lhes fora imputada, porém devem desenvolver a santidade até alcançarem a estatura do varão perfeito, porque “aquele que começou a boa obra em vós há de completá-la até o dia de Cristo Jesus” (Fp 1.6).

     

    3 – SANTIFICAÇÃO COMPLETA E FINAL

    Embora sejamos cristãos, o pecado ainda permanece em nosso coração. Não há promessa na Bíblia de que o cristão irá nesta vida chegar um dia a não pecar mais. Por isso a nossa santificação nunca será completa neste mundo.

     

    A santificação completa e final com a abolição total e final do pecado, só acontecerá de duas maneiras na vida do cristão: pela morte ou pelo arrebatamento. Depois de um desses eventos será impossível o pecado alcançar o crente.

     

    Pela morte - o autor de Hebreus diz que quando entrarmos no céu, chegaremos à “igreja dos primogênitos arrolados nos céus, e a Deus, o juiz de todos, e aos espíritos dos justos aperfeiçoados” (Hb 12.33).

     

    Com o arrebatamento - o nosso corpo será glorificado. É o que diz a Bíblia em Filipenses 3.20.21 “Aguardando o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, o qual transformará o nosso corpo de humilhação, para ser igual ao corpo da sua glória...”.

     

    SALVAÇÃO

     E isso fazei, conhecendo o tempo, que já é hora de despertardes do sono; porque a nossa salvação está agora mais perto de nós do que quando nos tornamos crentes” (Rm 13.11). 

    Na Bíblia a palavra salvação tem vários significados, mas na epistola aos Romanos Paulo está tratando da salvação espiritual, que Deus providenciou por intermédio de Jesus Cristo. Refere-se a salvação mediante a fé em Jesus. Uma vez arrependido o homem passa a fazer parte da família de Deus, recebendo filiação divina.

     

    A ideia de salvação está bem definida nas epístolas paulinas, onde o vocábulo salvação é usado de forma geral, abrangendo, ao mesmo tempo, o passado (a cruz e a ressurreição), o presente, quando nos une a obra geral de Cristo, e o futuro escatológico.

     

    ADOÇÃO

    "Porque não recebestes o espírito de escravidão, para outra vez estardes com temor, mas recebestes o espírito de adoção, pelo qual clamamos: Aba, Pai!" (Rm 8.15). 

    A adoção, como doutrina, é uma fase da nossa salvação raramente enfatizada. Todavia, trata-se de uma grande verdade que todo crente deveria compreender e dela apropriar-se. A palavra “adoção” é usada exclusivamente por Paulo em suas epístolas. Ela ocorre três vezes na carta aos Romanos. Uma vez o termo é aplicado a Israel como nação: “São israelitas, Pertence-lhes a adoção e também a glória, as alianças, a legislação, o culto e as promessas” (Rm 9.4). Em outra passagem Paulo a emprega para referir-se à plena realização de nossa experiência na segunda vinda do Senhor: “Igualmente gememos em nosso íntimo, aguardando a adoção de filhos, a redenção de nosso corpo” (Rm 8.23). E outra vez fala dela como um fato presente na vida do cristão: “Porque não recebestes o espírito de escravidão para viverdes outra vez atemorizados, mas rebestes o espírito de adoção, baseado na qual clamamos: Aba Pai” (Rm 8.15).

     

    DEFINIÇÃO

    É importante compreender que a maneira pela qual Paulo usa a palavra não tem virtualmente nada em comum com o uso feito pela sociedade hoje. Segundo o costume humano, a adoção é um meio pelo qual um estranho pode tornar-se membro de uma família.

     

    A palavra “adoção” significa, portanto, literalmente, “aceitar como filho”. O cristão depois de tornar-se filho de Deus através do novo nascimento, é imediatamente promovido a uma posição de maturidade, sendo estabelecido como filho adulto, mediante este reconhecimento de adoção. Não há desse modo um período de infância na esfera da responsabilidade cristã. Deus dirige o mesmo apelo à santidade e ao serviço a todo cristão, sem levar em conta o tempo decorrido desde a sua salvação. Ninguém tem prioridade por ter entrado na família de Deus há mais tempo. Veja a parábola dos trabalhadores (Mt 20.1-16).

     

    RESULTADOS DA ADOÇÃO

    1 - Recebemos o testemunho do Espírito Santo. Ele dá testemunho de nossa qualidade de filhos : “O próprio Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus” (Rm 8.16). “Pois todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus” (Rm 8.14).

     

    2 – Libertos do medo. “Porque não rebestes o espírito de escravidão para viverdes outra vez atemorizados, mas recebestes o espírito de adoção” (Rm 8.15). Não mais seremos escravos da Lei “De maneira que a Lei nos serviu de aio para nos conduzir a Cristo, a fim de que fôssemos justificados por fé. Mas tendo vindo a fé, já não permaneceremos subordinados ao aio” (Gl 3.24-25). O Espírito Santo, habitando em nosso espírito, torna a consciência da aceitação divina real que todo o medo desaparece.

     

    3 – Herdeiros e co-herdeiros com Cristo. “e, se filhos, também herdeiros, herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo; se é certo que com ele padecemos, para que também com ele sejamos glorificados” (Rm 8.17). A criança pode ser herdeira de seus pais, mas até que alcance a maioridade não recebe a herança. Ao tornar-se maior a herança passa a ser sua. “Ora, digo que por todo o tempo em que o herdeiro é menino, em nada difere de um servo, ainda que seja senhor de tudo; mas está debaixo de tutores e curadores até o tempo determinado pelo pai. Assim também nós, quando éramos meninos, estávamos reduzidos à servidão debaixo dos rudimentos do mundo; mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido debaixo de lei, para resgatar os que estavam debaixo de lei, a fim de recebermos a adoção de filhos. E, porque sois filhos, Deus enviou aos nossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai. Portanto já não és mais servo, mas filho; e se és filho, és também herdeiro por Deus” (Gl 4.1-7).

     

    Inúmeros filhos remidos do Senhor não compreendem a sua herança e agem como escravos em lugar de filhos. Na parábola do filho pródigo, o irmão mais velho queixou-se ao pai: “Ele, porém, respondeu ao pai: Eis que há tantos anos te sirvo, e nunca transgredi um mandamento teu; contudo nunca me deste um cabrito para eu me regozijar com meus amigos; vindo, porém, este teu filho, que desperdiçou os teus bens com as meretrizes, mataste-lhe o bezerro cevado. Replicou-lhe o pai: Filho, tu sempre estás comigo, e tudo o que é meu é teu” (Lc 15.29-31). Vamos começar a gozar de nossa herança em Cristo Jesus desde agora. Comece festejando todo dia seu direito à morado na pátria celestial.

     

    PREDESTINAÇÃO (ELEIÇÃO)

    "Porque os que dantes conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos" (Rm 8.29). 

    A doutrina da eleição é uma das mais controvertidas de toda a teologia. Através de séculos ela vem dividindo os cristãos em vários campos. Alguns livros sobre teologia sistemática nem sequer ensinam este assunto, para evitar entrar nessa controvérsia.

     

    Ela tem sido apresentada de maneira tão extremista que faz parecer que os eleitos serão inevitavelmente salvos, sem levar em conta sua resposta a pregação do evangelho e seu estilo de vida. Por outro lado, os escolhidos para se perderem, padecerão eternamente, não sendo levado em conta qualquer empenho em aproximar-se de Deus mediante a fé em Cristo.

     

    Esta posição radical baseia-se nas doutrinas chamadas de:

    - Eleição incondicional: entende que os eleitos são escolhidos completamente em separado de qualquer arrependimento e fé da parte deles;

    - Expiação limitada: diz que Cristo não morreu por toda humanidade, mas apenas por aqueles a quem Ele escolheu.

     

    Ela se apoia também no ensino de que a chamada geral de Deus para os homens se entregarem a Cristo não é um “chamado geral”, mas Ele só “chama verdadeiramente” aqueles a quem elegeu previamente para salvação. Foi mostrado nas Escrituras que Jesus morreu por toda a humanidade. Ele chama todos os cansados e sobrecarregados para se aproximarem dele (Mt 11.28).

     

    A eleição é um ato soberano de Deus porque, por ser Deus, Ele não tem de consultar nem pedir opinião de quem quer que seja. Desde que a Escritura ensina que a eleição aconteceu “antes da fundação do mundo” (Ef 1.4), então, não havia ninguém a quem Deus pudesse consultar. Todos os homens pecaram e são culpados diante de Deus, portanto, Ele não se achava sob qualquer obrigação de salvar ninguém.

     

    A eleição é um ato da graça de Deus, em vista da mesma razão. Toda a humanidade pecou e não merece coisa alguma além da condenação. O homem pecador não pode fazer nada por si mesmo, a fim de ser considerado digno de salvação. Assim sendo, qualquer oferta de vida eterna deve ser pela graça.

     

    A salvação é em Cristo, porque só Ele poderia prover a justiça de que o homem necessitava. Deus não pode escolher o homem em si, de modo que o escolheu em Cristo: “E sabemos que todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito. Porque os que dantes conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos; e aos que predestinou, a estes também chamou; e aos que chamou, a estes também justificou; e aos que justificou, a estes também glorificou” (Rm 8.28-30).

     

    Pedro, apóstolo de Jesus Cristo, aos peregrinos da Dispersão no Ponto, Galácia, Capadócia, Ásia e Bitínia. Eleitos segundo a presciência de Deus Pai, na santificação do Espírito, para a obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo: Graça e paz vos sejam multiplicadas” (1 Pe 1.1-2).

     

    Devemos distinguir claramente entre a presciência de Deus e a predestinação. Não é certo dizer que Deus previu todas as coisas porque arbitrariamente decidiu fazer no futuro com que elas ocorressem. Deus em sua presciência, vê os eventos praticamente como vemos o passado. A presciência não muda a natureza dos eventos futuros mas do que o conhecimento posterior pode mudar um fato histórico. Existe uma diferença entre o que Deus determina executar e o que Ele simplesmente permite que aconteça.

     

    Poucos dos que defendem o conceito da “eleição incondicional” ensinariam que Deus é a causa eficiente do pecado. Praticamente todos concordariam em que Deus simplesmente permitiu que o pecado entrasse no universo, e todos admitiriam que Ele previu que entraria antes de ter criado qualquer coisa. Se então, Deus pôde prever que o pecado entraria no universo sem decretar efetivamente que entraria, Ele pode então prever também como os homens agirão sem decretar como eles vão agir?

     

    Efésios 1.3-5 torna bem claro que os crentes são escolhidos em Cristo Jesus: “Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nas regiões celestes em Cristo; como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis diante dele em amor; e nos predestinou para sermos filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade”.

     

    Ao escolher os que são seus “em Cristo”, Deus não estava olhando para o homem em si, mas como ele é em Cristo. Os que foram escolhidos são aqueles que estavam em Cristo, pela sua presciência Deus já os viu quando fez a escolha. Os que estão em Cristo são pecadores que creram no sangue redentor de Jesus Cristo, através do qual eles foram unidos a Ele, como membros do seu corpo.

     

    Não existe qualquer virtude nesta fé. Os homens não são salvos por crerem, mas através da crença. Os crentes foram vistos antecipadamente em Cristo quando Ele os escolheu. Como chegaram ali? Através da fé no Filho de Deus. Ele não determinou quem deveria achar-se ali, mas simplesmente os viu em Cristo ao Elegê-los.

     

    A Bíblia não ensina seleção, mas eleição. Em ponto algum a Bíblia ensina que alguns são predestinados à condenação. Isto seria desnecessário, desde que todos são pecadores e estão a caminho da condenação eterna. 

    Ele vos vivificou, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados, nos quais outrora andastes, segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe das potestades do ar, do espírito que agora opera nos filhos da desobediência, entre os quais todos nós também antes andávamos nos desejos da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos por natureza filhos da ira, como também os demais... estáveis naquele tempo sem Cristo, separados da comunidade de Israel, e estranhos aos pactos da promessa, não tendo esperança, e sem Deus no mundo” (Ef 2.1-3, 12).

     

    Não é a falta da eleição do homem que o leva a perdição eterna; é o seu pecado e falta de aceitar Jesus Cristo, como único e suficiente Salvador. Todo homem é livre para aceitar Cristo como seu Salvador pessoal ou não, caso assim o deseje. Ele não é apenas convidado, mas instado a isso. Cristo Fez toda sorte de provisões para ele. “vemos, porém, aquele que foi feito um pouco menor que os anjos, Jesus, coroado de glória e honra, por causa da paixão da morte, para que, pela graça de Deus, provasse a morte por todos” (Hb 2.9). “Mas Deus, não levando em conta os tempos da ignorância, manda agora que todos os homens em todo lugar se arrependam” (At 17.30).

     

    Muitos dos problemas surgidos na Igreja sobre essa doutrina da eleição foram causados porque alguns à aplicaram aos não salvos. Ela é verdadeira para quem já se encontra em Cristo. Reconhece-se que a epístola de Paulo aos Romanos é a exposição mais ordenada do plano de salvação que temos na Bíblia. Deve-se notar que o apóstolo não trata do assunto da eleição até ultrapassar o capítulo 8, que conclui com a verdade de que não há separação em Cristo.

     

    Não permita que qualquer ideia com relação a essa doutrina da eleição impeça a pregação do evangelho a toda humanidade. A Grande Comissão continua sendo um dever da Igreja de Jesus Cristo: IDE POR TODO O MUNDO E PREGAI O EVANGELHO A TODA CRIATURA. QUEM CRER E FOR BATIZADO SERÁ SALVO; PORÉM, QUEM NÃO CRER, SERÁ CONDENADO (Mc 16.15-16).

    Leia também:

    Estudo da Carta de Paulo aos Romanos

     

    Comentar
  • Texto

    BRINCANDO DE CASINHA DE BONECAS COM A IGREJA DE DEUS Uma advertência solene aos santos da igreja do Senhor.

    BRINCANDO DE CASINHA DE BONECAS COM A IGREJA DE DEUS

    Uma advertência solene aos santos da igreja do Senhor.    




    Muitos pensam que Deus criou a igreja e deixou que a ordem e decência da igreja fossem definidas por qualquer um, em qualquer época e ao sabor das circunstâncias e inclinações culturais. Esse engano, às vezes consciente e às vezes inconsciente, é fruto de descaso com a Palavra de Deus, o verdadeiro manual da igreja, a autoridade final. Muitos tratam a igreja, de modo semelhante a duas meninas brincando de casinha de bonecas. Elas fazem o que querem com as funções e papeis dos membros daquela casinha. Mesmo ambas sendo meninas, ambas concordam que uma delas vai ser o pai e a outra vai ser a mãe. Na brincadeira movida a fantasia elas fazem o que querem. Quando uma se cansa de ser o pai, diz para a outra, agora é sua vez de ser o pai. Depois, como se cansaram de brincar de casinha de bonecas, decidem que a casinha não é mais casinha, mas um armazém, um shopping center, um hospital ou outra coisa qualquer.

    Seguindo no mesmo clima de fantasia e irresponsabilidade acima, alguns líderes de igreja, vão tratando a igreja sem nenhum temor a Deus, como se a igreja fosse a casinha de bonecas que falamos acima. Sua maior arrogância e terrível pretensão é tratar a igreja como se fosse propriedade deles, e que com ela pudessem fazer o que quisessem. Esses maus líderes, verdadeiras maldições para suas igrejas, criando confusão e sucessivas divisões na igreja local, não somente mudam os papeis da liderança da igreja, mas, também, mudam os próprios papeis e funções da igreja do Senhor, que eles pensam que é deles, e pensam que essa brincadeira de mau gosto, soberba insana e fantasia demoníaca vai lhes sair barato.


    ALGUMAS VERDADES BÍBLICAS ESQUECIDAS POR ESSES LÍDERES-LOBOS QUE TENTAM TRANSFORMAR A IGREJA DO SENHOR EM CASINHA DE BONECAS:

    1.     Que a igreja não é deles, mas é propriedade exclusiva de Deus. O Novo Testamento se refere sempre a igreja como “igreja de Deus”  (II Co 1:1; Gl 1:13; I Tm 3:5)

    2.     Que a igreja já tem uma ordem e decências estabelecidas pela Bíblia. Que o Novo Testamento foi escrito para que os líderes fiéis soubessem como proceder na igreja do Deus vivo. “Para que, se eu tardar, fiques ciente de como se deve proceder na casa de Deus, que é a igreja do Deus vivo, coluna e baluarte da verdade”.  (I Tm 3:15).

    3.     Que Deus não terá por inocente os servos maus e negligentes que transformam a sua igreja num covil de malfeitores e politiqueiros carnais. (Mt 12-13; 24:48-51; 25:26, 30).

    4.     Que os maus líderes que dividem e dilaceram a igreja do Senhor por motivos pessoais e carnais, não escaparão do juízo divino que os destruirá, bem como a seus comparsas e cúmplices. “Vós, porém, amados, lembrai-vos das palavras anteriormente proferidas pelos apóstolos de nosso Senhor Jesus Cristo, os quais vos diziam: No último tempo, haverá escarnecedores, andando segundo as suas ímpias paixões. São estes os que promovem divisões, sensuais, que não têm o Espírito”. (Judas 17-19)

    5.     Que a politicagem carnal e mundana é apropriada ao mundo e nunca jamais à igreja do Senhor, e os que dela participam estão entre os carnais inveterados nas obras da carne que não terão parte no Reino dos Céus. (Gl 5:19-21)

    6.     Que aqueles que destruírem o santuário de Deus, Deus os destruirá. (I Co 3:17)


    I – DE QUEM É A IGREJA LOCAL?

    - COM CERTEZA ELA NÃO É DE HOMEM OU ENTIDADE ALGUMA.

    1)     A IGREJA NÃO É DO PASTOR – Ao Pastor de uma igreja foi confiada grande autoridade unida a grande responsabilidade. Como o bispo da igreja ele é individualmente a maior autoridade da igreja, o supervisor, administrador, gerente de toda a igreja, porém, pesa sobre ele a gravíssima responsabilidade de prestar contas diretamente a Deus pelo rebanho do Senhor, a ele confiado. Por isso, o pastor bíblico deve pastorear a igreja como a “igreja de Deus” e não como a sua” igreja, como se tivesse o direito de fazer com ela o que melhor lhe parecesse.

         Pastorear a igreja como igreja de Deus é pastorear não para agradar a si mesmo, parentes ou a qualquer membro da igreja, mas, pastoreá-la para agradar tão somente a Deus. Um pastor que pastoreia uma igreja para agradar a homem não é servo de Cristo, portanto, também não é um pastor de Deus. Um pastor que não é um pastor de Deus, realmente chamado por Deus, para viver e agradar a Deus, de fato, é uma maldição para qualquer igreja. [Atos 20:28 – “Atendei por vós e por todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu bispos, para pastoreardes a IGREJA DE DEUS, a qual ele comprou com o seu próprio sangue”].

    2)     A IGREJA NÃO É DE UMA LOCALIDADE ou CULTURA – Embora, a igreja local esteja em determinado local ou cultura, a igreja não pertence àquele local ou cultura como se suas normas tivessem de se adequar ou se submeter às leis e regras daquele local ou cultura.
    - Por exemplo. Alguém diz, nossa igreja já está neste local há muitos anos e sempre fez deste “Jeito”. O que vai interessar no final das contas, não é o tempo e as pessoas que apóiam aquele “jeito” peculiar da igreja ser. O que realmente vai importar no final de tudo, é o que realmente é à vontade de Deus, conforme revelada em Sua Palavra a Bíblia Sagrada.
         [1 Coríntios 1:2 - “à igreja de Deus que está em Corinto, aos santificados em Cristo Jesus, chamados para ser santos, com todos os que em todo lugar invocam o nome de nosso Senhor Jesus Cristo,Senhor deles e nosso”]:

    3)     A IGREJA NÃO É DOS CRENTES –  A igreja de Coríntios tinha os crentes mais “carnais” destruidores da igreja de Deus que se tem registro. O espírito destruidor dos coríntios estava exatamente no fato de tratarem a igreja como se fosse deles. Por isso, Paulo começa aquela carta, baseando toda sua doutrina e instrução para igreja, no fato de que a igreja é de Deus, e não dos crentes, e que o Senhor é a autoridade máxima da igreja, ou seja, Cristo e não os crentes.

         Embora as igrejas batistas tenham como distintivo o governo congregacional-democrático, ou seja, as decisões da igreja devem ser feitas pela maioria dos votos dos crentes reunidos em assembléia, isto não lhes dar direito a decidirem qualquer coisa que viole a Palavra de Deus. De fato, numa igreja verdadeiramente bíblica, o governo é teocrático-bíblico, ou seja, Deus é que governa através da obediência incondicional da igreja à sua Palavra.

        - O que chamamos de governo congregacional-democrático da igreja, de fato, em muitas igrejas, não é um governo nem congregacional e muito menos democrático, mas sim, autocrático, onde o povo ou um grupo usurpa o governo de Deus, enganando-se pensando que a maioria pode decidir o que é certo e o que é errado. Numa igreja que realmente é bíblica e está sob o senhorio de Cristo, só há lugar para o governo bíblico, ou seja, toda questão só pode ser decidida pela Bíblia e nunca por uma maioria controladora. Vence quem provar biblicidade.

        - Porém, embora as igrejas Batistas digam que sua única regra de fé é a Bíblia, e seus crentes digam que concordam com isso, de fato estão mentindo. Sua única regra de fé e prática são os caprichos de crentes carnais e nominais que tratam a igreja como se fosse sua casinha de bonecas, fazem e desfazem, mudam o que querem, destroem, tornam-se a maldição e tropeço da igreja de Deus.

        - Esses “crentes perversos e pervertidos” se tornam famosos por terem se tornado “os donos da igreja”, de modo, que ninguém faz nada sem o seu consentimento e cumplicidade. São conhecidos também como “peritos em botar pastor para fora da igreja”, porque, ou o pastor faz o que eles querem, ou então o pastor pode arrumar as malas, ou seja, em vez de pastorear a igreja, o pastor deve se deixar intimidar e se deixar pastorear por este grupo de “filhos de belial”, do contrário, os tais “crentes malditos” tornarão a sua vida na igreja um inferno, chegando ao ponto, em que, ou ele sai, ou fazem uma política infernal para pô-lo para fora em uma assembléia de escarnecedores e zombadores das coisas sagradas. 


    II - O QUE ACONTECE QUANDO PASTOR E LÍDERES TENTAM SER DONOS DA IGREJA DE DEUS.

    A igreja se torna amaldiçoada por um império de carnalidade, perversidade e joio, onde os pastores e líderes de belial levam a igreja a ser progressivamente destruída.

    à  Há igrejas, cheias de crentes e líderes malditos pela carnalidade, perversidade e falta de conversão, verdadeiros filhos do inferno, que, pelo fato de não temerem a Deus e nem se submeterem à Sua Palavra, já começam amaldiçoando a igreja, quando essa quer convidar um pastor. Esses filhos de belial não querem um pastor de Deus, um homem santo, nem um profeta do Senhor.

    à  Eles querem um pastor “frouxo”, “mundano”, “carnal” e não convertido como eles, por isso, todos os pastores sérios e tementes a Deus são riscados da possibilidade de integrarem a lista de possíveis candidatos àquela igreja. Finalmente, conseguem um pastor conforme o perfil que desejavam. Convidam o homem, porém, quando aqueles líderes, que são a maldição de suas igrejas, começam a se relacionar como o “novo” pastor, percebem que se enganaram, ou seja, que não será tão fácil dobrar aquele pastor carnal, pois uma das características da carnalidade é a obstinação e dureza de coração. Logo, não demora muito tempo, começa uma terrível batalha entre o pastor de Belial e os líderes filhos de Belial. Dependendo do caso, o pastor de belial bota os líderes de belial para fora, ou o inverso, os filhos de belial botam o pastor de belial para fora. PORÉM, a desgraça toda fica sempre para a igreja, que tem sobre si a maldição de ir de divisão em divisão, de pastor em pastor, até a sua destruição final.

    à  Um exemplo deste tipo de crentes é visto na igreja de Corinto. Por isso Paulo os adverte solenemente a não se tornarem tropeço ou queda para a igreja de Deus e ainda mostra que a atitude daqueles crentes-tropeço para igreja era de fato de desprezo pela verdadeira igreja de Deus, ou seja, esses infelizes que fazem divisões carnais na igreja, de fato não amam a igreja, mas apenas a sua vaidade e soberba pessoal. Porém, o dia chegará em que a maldição em que eles transformaram a vida da igreja cairá por cima deles, e terão o fim de todos os divisores carnais do povo de Deus. 


    à EXEMPLO DE PESSOAS QUE PARTICIPARAM OU FORAM CÚMPLICES DE DIVISÕES CARNAIS DO POVO DE DEUS:

    (1)  A começar de LÚCIFER que dividiu os anjos de Deus, e é o inspirador de todas as divisões carnais e pai de todos os divisores carnais, condenado para sempre à escuridão e ao abismo de tormento eterno. Esse é o fim dos divisores carnais. (Is 12:14-15)

    (2)  Passando por CORÉ, DATàE ABIRÃO que foram tragados vivos no abismo, eles e suas famílias que foram cúmplices do partidarismo e politicagem para derrubar Moisés, pois, não perceberam que desprezar alguém enviado por Deus é desprezar o próprio Deus (Nm 16:12-33).

    (3) Finalmente, todos os CRENTES NOMINAIS, verdadeiros filhos de belial que dividem igrejas, expulsam pastores e amaldiçoam suas igrejas, segundo a sentença de Cristo, suas casas ficarão desertas, e eles próprios no tempo certo serão tragados pelo abismo.

    1 Coríntios 10:32  Não vos torneis causa de tropeço nem para judeus, nem para gentios, nem tampouco para a igreja de Deus.

    à  DESCRIÇÃO DE LÍDERES DIVISORES CARNAIS DO POVO DE DEUS

     (1)       Moisés chamou Core, Datã e Abirão, de HOMENS PERVERSOS, por tentarem dividir o povo de Deus através de rebelião carnal contra ele, que era o legítimo pastor constituído por Deus (Nm 16:26).

    (2)       
    São chamados na Bíblia de  filhos de Belial OU DO DIABO, como os filhos de Eli, que eram líderes que não se importavam com o Senhor e com a santidade da Sua casa, mas zelavam apenas pelos seus interesses carnais. Todos os filhos de belial serão lançados fora da casa do Senhor e terão a mesma sorte dos espinhos, que é serem queimados. (I Sm 2:12; II Sm 23:3-6)

    (3)       NÃO AMAM A IGREJA, PELO CONTRÁRIO, A MENOSPREZAM
    , e mentem quando dizem que fazem política e divisões porque a amam.  “... menosprezais a IGREJA DE DEUS e envergonhais os que nada têm? Que vos direi? Louvar-vos-ei? Nisto, certamente, não vos louvo” I Co 11:22.

    (4)       SÃO CRENTES NOMINAIS (apenas de nome). Dividem a igreja através do partidarismo e politicagem, motivados por soberba e a vã glória de defenderem o seu prestígio e interesses carnais. Sem se aperceberem que os que fazem e praticam tais coisas não terão parte no Reino de Deus, ou seja, os tais, mostram que não são convertidos, mas pertencem à classe do joio, a ser queimado eternamente no inferno. “Ora, as obras da carne são conhecidas e são... inimizades, porfias,ciúmes, iras, discórdias, dissensões, facções, invejas... e coisas semelhantes a estas, a respeito das quais eu vos declaro, como já, outrora, vos preveni, que não herdarão o reino de Deus os que tais coisas praticam”. (Gl 5:19-21).

    (5)       EM SUA CARNALIDADE DESOBEDECEM AO MANDAMENTO DO SENHOR DE TUDO FAZER POR HUMILDADE, SEM POLITICAGEM E VANGLÓRIA que trazem maldição e morte para igreja, mas, pela renúncia do eu e pelahumildade, fazer da igreja local um lugar de bênção e vida. “Nada façais por partidarismo ou vanglória, mas por humildade, considerando cada um os outros superiores a si mesmo” (Fp 2:3).

    à O próprio Paulo norteava seu ministério pela humildade, embora, se quisesse poderia se gloriar na carne, mas preferia se gloriar nas suas fraquezas e depender do Senhor e não de politicagem carnal. Ao invés de se achar o maior de todos, se declarava o menor de todos.  “Porque eu sou o menor dos apóstolos, que mesmo não sou digno de ser chamado apóstolo, pois persegui a igreja de Deus”. (I Co 15:9.  “Se tenho de gloriar-me, gloriar-me-ei no que diz respeito à minha fraqueza”. “De tal coisa me gloriarei; não, porém, de mim mesmo, salvo nas minhas fraquezas... Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias, por amor de Cristo. Porque, quando sou fraco, então, é que sou forte”.(2 Co 11:30; 12:5,10 )

    (6)       GABAM-SE DE SUAS CONQUISTAS ARROGANTES E CARNAIS, MAS SUA RUÍNA SE APROXIMA. “Antes da ruína, gaba-se o coração do homem, e diante da honra vai a humildade” (Pv 18:12).


    (7)   JUDAS DESCREVE E QUALIFICA ESTES CRENTES NOMINAIS QUE DESTROEM SUAS IGREJAS ATRAVÉS DE SUCESSIVAS DIVISÕES DE UM MODO INCONFUNDÍVEL:

    - “Dissimuladores” (hipócritas, fingidos), “homens ímpios” (não temem a Deus), “transformam em libertinagem a graça de Deus” (resistem aos princípios de santidade, embora digam com a boca, que crêem no Senhor Jesus Cristo, de fato, a sua vida nega o Senhorio e a Soberania de Cristo. (Jd 5)
    - “Sonhadores alucinados (vivem de fantasia e ilusões carnais), não só contaminam a carne, como também rejeitam governo e difamam autoridades superiores” (por isso, não são pastoreáveis, pois, se consideram pastores de si mesmos). (Jd 9)

    - Não são ensináveis, em sua soberba acham que já sabem tudo. “Estes, porém, quanto a tudo o que não entendem, difamam; e, quanto a tudo o que compreendem por instinto natural, como brutos sem razão, até nessas coisas se corrompem”. (Jd 10)

    - Judas alerta para o ai de maldição sobre eles e os compara a Caim, que foi amaldiçoado por Deus e a Coré, que foi tragado vivo pelo abismo. (Jd 11)
    - Judas diz que eles são insolentes em suas palavras (não respeitam ninguém), pois os chama de ímpios pecadores. (Jd 15)

    - Murmuradores, descontentes, andando segundo as suas paixões. A sua boca vive propalando grandes arrogâncias; aduladores dos outros, por motivos interesseiros. (Jd 16).

    - Escarnecedores do tempo do fim, homens cuja especialidade está em promover divisões sensuais ou carnais. Os escarnecedores são palha. Serão expulsos da congregação dos justos. (Jd 17-19; Sl 1:1-6)


    III – BRINCANDO DE BONECAS COM AS IGREJAS BATISTAS REGULARES.

    Pelo que vimos acima, não vale a pena brincar de casinha de bonecas com as igrejas do Senhor. A igreja é coisa séria. Não é casa de bonecas, mas a casa do Deus vivo, coluna e baluarte da verdade. A pérola de grande preço. A menina dos seus olhos. Deus não terá por inocente ou ignorante aquele que tratar levianamente a preciosíssima noiva de Cristo. Porém, parece que alguns líderes de igrejas Batistas Regulares não temem as maldições que pesam sobre os pervertedores e divisores carnais de igrejas.

    Através do Brasil temos ouvido de líderes de igrejas que conduzem suas igrejas de divisão em divisão, de pastor em pastor. Vão brincando de chamar pastores, só para em seguida tornar a vida deles um inferno, de modo, que sem alternativa, se vêem obrigados a sair.

    Esses líderes de belial não são apenas diáconos, mas há também pastores de belial que vão transformando o ministério da igreja de Cristo em uma brincadeira de casinha de bonecas. Vão mudando os papeis de pastor, diácono, de crente e até da igreja. 



    Antes de finalizar eu quero fazer UM APELO AOS AUTÊNTICOS LÍDERES CRISTÃOS DA IGREJA DO SENHOR. Aqueles que, embora pudessem se gloriar na carne, gloriam-se apenas nas suas fraquezas e no Senhor. Embora tenham muitos anos de experiência na obra do Senhor, alguns tenham curso superior e importantes profissões na vida secular, outros sejam ricos de recursos materiais, mesmo assim, não se aproveitam de suas condições materiais e seculares para brincar com a igreja do Senhor. Que como fiéis servos do Senhor, que continuem a cultivar a humildade e o temor do Senhor, que são distintivos dos verdadeiros crentes e servos do Senhor.  

    A igreja do Senhor Jesus Cristo não deve tolerar nem pastores de belial, nem diáconos de belial, nem qualquer crente de belial.

    Vamos respeitar as coisas de Deus. Vamos ter mais temor a Deus
    . Pois, se estamos brincando com as coisas de Deus, com certeza Deus não brincará conosco, quando descer em juízo e maldição sobre os filhos de belial que empestam as igrejas do Senhor neste tempo do fim.

     

    Vamos buscar viver em santidade e humildade. Somente os humildes verão o Reino de Deus e somente os santos verão a Deus. As batalhas carnais não compensam. Batalhemos somente pela fé.  (Mt 5:3; Hb 12:14).

    Comentar
  • Texto

    Igrejas divididas deixam sequelas nos ministérios e membros – “O preço da divisão”

    Igrejas divididas deixam sequelas nos ministérios e membros – “O preço da divisão”

    7

    No início, o Evangelho espalhou-se graças à presença do próprio Senhor Jesus. Mais tarde, após sua morte e ressurreição, coube aos novos convertidos ao recém-criado cristianismo romper com suas tradições religiosas e sair pregando as boas-novas do Reino.-Leia e comente… Em pouco tempo, a nova fé cresceu e, como não poderia deixar de ser, surgiram as primeiras divergências entre seus seguidores. A lei
     de Moisés perdera a validade ou não? Os mortos voltariam à vida antes ou depois do retorno do Senhor? A circuncisão continuava obrigatória? Depois, vieram as diferenças teológicas – e mesmo gigantes da fé, como os apóstolos Paulo e Pedro, tiveram lá suas diferenças por causa de interpretações conflitantes acerca do Evangelho. Quando a Igreja ganhou formas institucionais e o clero se fortaleceu, as divisões passaram a ocorrer, principalmente, por questões internas e administrativas. A falta de consenso, seja por motivos espirituais ou simples disputa de poder, levou a cristandade a grandes rachas, como o ocorrido em 1054, entre cristãos do Ocidente e do Oriente, ou a Reforma Protestante do século 16.

    A verdade é que, ao longo destes dois mil anos e pelos mais diversos motivos – ou desculpas –, igrejas cristãs seguem tendo dificuldades em manter a sua unidade, gerando novas divisões e afetando a vida e o ministério de seus fiéis. Na história recente das igrejas evangélicas brasileiras, grandes separações aconteceram, tanto nos grupos históricos – como a Igreja Batista, que viu surgir em seu meio um segmento avivado nos anos 1960 –, como nas igrejas pentecostais e neopentecostais. E as separações acontecem tanto em nível denominacional como dentro das próprias comunidades locais, em geral por mero desentendimento entre seus líderes e, muitas vezes, gerando igrejas vizinhas – e até rivais – de mesma fé. “A divisão é intrínseca à experiência da Igreja cristã: simplesmente, nunca houve um cristianismo indiviso”, aponta o professor Joanildo Burity, coordenador do mestrado sobre fé e globalização do Departamento de Teologia e Religião da Universidade de Durham, na Inglaterra.

    As razões que desencadeiam essas cizânias, na opinião dos especialistas, incluem desde a vaidade pessoal dos líderes até insubordinação, dificuldades de se trabalhar em equipe e interesses pessoais nocivos. Há também os motivos espirituais – caso das divergências teológicas ou de vocações ministeriais legítimas, que são sufocadas por lideranças centralizadoras. “Dificilmente, a divisão é provocada por uma ovelha, mas quase sempre por um pastor ou líder”, argumenta o pastor Osvaldo Lopes dos Santos, presidente da União das igrejas Evangélicas Congregacionais do Brasil (UIECB). A denominação, introduzida no Brasil no século 19 pelo missionário e médico escocês Robert Kalley, enfrentou uma grande cisão em 1967, por causa da adesão de alguns pastores ao avivamento espiritual.

    Se, por um lado, as separações em igrejas contribuíram para a acelerada disseminação do cristianismo no mundo, devido à multiplicação do número de congregações, por outro geram verdadeiros traumas emocionais e de fé nos membros, geralmente os que mais sofrem com as divisões. “Toda ruptura, quer seja pessoal ou institucional, sempre causa algum tipo de trauma emocional, psicológico, social, e, no caso da igreja, um espiritual”, continua Osvaldo. “Trata-se de um divórcio eclesiástico, que afeta profundamente a história e a identidade de um povo, removendo as suas bases e criando um grande vazio existencial por um longo tempo.”

    Os cismas que acontecem no meio das igrejas evangélicas são uma das inúmeras causas das transferências de membros entre igrejas. A flutuação é grande – hoje em dia, é comum se encontrar crentes que já foram ligados a diversas congregações. Caso de R.M., carioca de 50 anos que, a fim de evitar constrangimentos, pediu à reportagem para não ser identificado. “Converti-me na Assembleia de Deus”, conta. “Mas, três anos depois, o pastor rompeu com o Conselho e abriu sua própria igreja. Fui com ele e mais uns trinta irmãos”. O novo trabalho prosperou, mas aí foi a vez de o pastor ser vítima da divisão – um missionário da igreja, insatisfeito com sua liderança, saiu e levou consigo boa parte dos membros. R., decepcionado, por pouco não caiu na fé. “Não fui atrás nem de um, nem de outro. Achei absurdo que homens que se diziam de Deus ficassem brigando entre si.”, reclama. Hoje, o funcionário público congrega na Igreja Cristã Maranata. “Há muito de vaidade e interesses pessoais nesses rachas, e pouco do Evangelho”, opina.

    CREDIBILIDADE COMPROMETIDA

    “Os crentes que mais sofrem com processos de divisão são justamente os neófitos na fé, que ainda possuem uma visão romantizada da igreja”, aponta o pastor Altair Germano, coordenador pedagógico Faculdade Teológica da Assembleia de Deus em Abreu e Lima (Fateadal), em Pernambuco. “As pessoas ficam marcadas por essas rupturas”. No entender do educador, atitudes de divisão podem criar grandes males espirituais para os membros de uma igreja que se fragmenta – “Embora, em alguns casos, a divisão seja até necessária”, ressalva. Mesmo assim, pondera, levantar as questões de maneira pública não é o melhor caminho. “As demandas e questões que suscitam divisões denominacionais precisam ser tratadas pelos líderes com sabedoria, temor, respeito e amor cristão.”

    Até mesmo falar sobre as experiências de divisão é difícil tanto para os líderes, como para os membros das igrejas que sofreram esse tipo de situação. O pastor Josivaldo Carlos, 42, da Igreja Batista Missionária, já foi membro de uma igreja tradicional na periferia de Olinda (PE) antes de iniciar o próprio ministério. Há dez anos, um processo de mudança radical, implantada por um pastor que chegou à congregação, afastou rapidamente os membros mais antigos. “Eles se sentiram excluídos pela nova liderança. A maior parte se espalhou pelas igrejas vizinhas, mas uns até abandonaram o Evangelho.”

    Josivaldo lamenta que os estragos da divisão vão além das paredes da igreja – trazem descrédito não apenas para as instituições que passam pelo problema, mas para o Evangelho, como um todo. “Existem consequências muito grandes nesses momentos. Uma delas é o prejuízo ao caráter evangelístico da igreja”, comenta. “Os novos convertidos sofrem um abalo na fé muito grande. Eles esperam da igreja algo novo, querem satisfazer um vazio da alma. Quando se deparam com uma separação que cria um ambiente muito hostil, a decepção é grande. Afinal, no lugar onde tinham a expectativa de encontrar soluções, acabam encontrando mais problemas”, declara Josivaldo.

    Para Rinaldo Silva, de 24 anos, do Recife, o que o motivou a deixar a igreja onde congregava foi o que chama de uma crise interna. Envolvido em vários trabalhos na igreja, ele foi levado a deixar o ministério onde se batizara e foi para outra congregação, na mesma localidade, com uma série de irmãos, por conta das mudanças promovidas por um novo pastor, que eram contrárias aos princípios da igreja. “Esses momentos criam períodos de fraqueza espiritual muito grande. Leva os membros a se fecharem; muitos não querem mais saber de igreja nem de participar do Corpo de Cristo. Com o tempo, a pessoa nem quer mais buscar a Deus”. Anos após, com o fim da crise, Rinaldo retornou a igreja de origem, onde congrega até hoje. O aposentado João Neto, 54 anos, também passou por um processo de divisão na sua antiga igreja. Desvios doutrinários instabilidade na congregação, que culminou numa divisão, seis meses depois. “A igreja tinha um perfil e uma história que foram desrespeitados. A unidade da congregação foi enfraquecida. Entre os mais antigos, é uma tristeza ver uma trajetória ser interrompida.

     

    Outro grupo de fiéis que demora a superar o embate das divisões são aqueles crentes que possuem longas trajetórias em uma mesma igreja. “Geralmente, aqueles que têm uma caminhada histórica em sua denominação é que apresentam dificuldades maiores numa situação como esta. Aos poucos, aquela sensação de vazio vai se dissolvendo e um novo tempo se estabelece em nossas vidas, porque, afinal, Deus nunca desiste de nós e ele é poderoso para guardar o nosso depósito até o fim.

    • IGREJA PENTECOSTAL O SENHOR É NOSSA JUSTIÇA

      IGREJA PENTECOSTAL O SENHOR É NOSSA JUSTIÇA: José Antônio disse:

      Gostei muito do site que o irmão ai postou e concordo plenamente com ele, muitas igrejas deixaram de ser guiados pelo cabeça que é Cristo.

      O Preparo da Igreja para a Volta de Jesus

      O Senhor Jesus voltará para encontrar-s

      21/04/2014 às 10:13

    • IGREJA PENTECOSTAL O SENHOR É NOSSA JUSTIÇA

      IGREJA PENTECOSTAL O SENHOR É NOSSA JUSTIÇA: patricia disse:

      hoje vemos muitas pessoas ; sedeichando levar porfalsos pastores homens apenas preocupados com seus proprios interesses,sem nenhum amor cristao ,devemos estar atentos a tudo que estar acontecendo dentro das igrejas ;oproprio senhor jesu

      21/04/2014 às 10:15

    Comentar
Fechar

Enviar esse post por e-mail:

Enviar
OK

Não foi possivel mandar o email

OK

OK
OK